“O Hezbollah foi atingido, mas ainda pode ser uma ameaça”

Apesar de nem tudo estar claro sobre o incidente desta segunda-feira, quando um grupo de militantes armados tentou se infiltrar em Israel a partir do Líbano, sabe-se que o conflito começou a se desenhar na noite de segunda-feira passada, quando, de acordo com relatos da mídia internacional, as IDFs realizaram um ataque perto do aeroporto de Damasco, visando um depósito de armas e munição que haviam chegado do Irã e que estavam destinados às forças do Hezbollah.

Um agente do Hezbollah que estava no local, talvez para ajudar e monitorar o transporte da remessa para o Líbano, foi morto no ataque.

A organização decidiu responder a essa morte de acordo com regra anunciada por seu líder Hassan Nasrallah em 2015, que pedia que todas as vítimas fossem vingadas.

O Hezbollah pretendia manter sua dissuasão diante de Israel e, ao mesmo tempo, provar aos seus benfeitores iranianos que é o aliado mais eficiente e poderoso que a República Islâmica possui no Oriente Médio.

Mas o grupo terrorista não queria tomar medidas que violassem a soberania de Israel e forçou os israelenses a responderem militarmente na fronteira com o Líbano. O objetivo era cobrar um preço das IDFs em uma área em disputa de território – as Fazendas Shebaa nas encostas de Har Dov, que o grupo vê como território libanês sob ocupação israelense e, portanto, uma área simbólica para uma ação contra Israel.

Mas o grupo xiita também pretendia ferir soldados, atingindo um tanque ou um posto militar, e evitar danos aos civis, alcançando assim um sucesso militar sem incorrer em repercussões dolorosas.

As IDFs estavam preparadas para essa eventualidade e posicionaram seus tanques sob a cobertura da vegetação. Os militares também incendiaram a área para criar uma cortina de fumaça que escondia ainda mais suas forças.

A detecção precoce dos infiltrados permitiu que as forças israelenses esperassem até que os militantes cruzassem a fronteira e só então pudessem usar seus tanques e morteiros.

As IDFS se abstiveram de disparar antes que a célula cruzasse a fronteira internacional da Linha Azul para evitar dar ao Hezbollah outra desculpa para agir reivindicando vítimas civis em território libanês. Assim que a fronteira foi ultrapassada, no entanto, as IDFs disparam.

Não ficou claro se algum dos militantes ficou ferido, pois a vegetação densa impedia uma visão clara do solo na área. Pode ter ocorrido baixas e até feridos tentando voltar ao território libanês. Depois que as IDFs examinarem a área, talvez com o uso de drones, a situação fique mais clara.

A questão agora é o que vem a seguir? É claro que o Hezbollah não quer causar baixas entre os civis israelenses, razão pela qual as IDFs anunciaram rapidamente que as estradas ao longo da fronteira estavam abertas para o tráfego civil e que os moradores locais não estavam mais confinados em suas casas.

Mas o grupo terrorista libanês pode não ver esta operação como um sucesso e ainda pode estar tentando cobrar um preço de Israel.

A reação do Hezbollah estava destinada a fracassar como retaliação, e sua força de Radwan no sul do Líbano pode estar planejando um ataque posterior. Eles poderiam apenas estar testando eventuais falhas israelenses ao longo da fronteira e podem atacar no mesmo local ou talvez nas colinas do Golã – embora o último seja um cenário menos provável.

Os próximos dias permanecerão tensos e as forças das IDFs manterão seu alerta máximo ao longo da fronteira até que as intenções do grupo terrorista se tornem mais claras.

Israel não tem interesse em aumentar as tensões com o Líbano. A operação, contudo, representou um golpe para Nasrallah e sua organização e as IDFs não precisam de mais nada para provar sua dissuasão.

Ainda assim, as tropas devem permanecer alertas para o caso de outros militantes permanecerem na área e pretenderem atacar as forças locais.