Orações e busca por ações conjuntas encerram encontro nacional de católicos e judeus em Porto Alegre

O encontro da Comissão Nacional de Diálogo Religioso Católico-Judaico da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que este ano ocorreu em Porto Alegre e durou dois dias – domingo (24) e segunda (25)- teve como tema “Construindo pontes numa sociedade indiferente”.

No primeiro dia do evento, padres, bispos, teólogos e rabinos rezaram juntos e, por meio de reflexões, buscaram estabelecer pontos em comum entre as fés, com o objetivo de propor o diálogo e a construção de pontes em um mundo que, no entender deles, está cada vez mais violento e egoísta.

Com apoio da Confederação Israelita do Brasil (Conib), a primeira reunião ocorreu na sede da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência (Sibra). Como anfitrião, o rabino Guershon Kwasniewski deu as boas-vindas ao grupo de religiosos, apresentando-lhes pergaminhos e relíquias da sinagoga, como uma peça em metal de 1818 trazida por imigrantes judeus. O presidente da Sibra, Daniel Weiss Vilhordo, também falou aos presentes. Uma vela foi acesa em homenagem ao rabino Henry Sobel, morto na sexta-feira em razão de um câncer, nos Estados Unidos. Sobel foi integrante da comissão e uma das principais vozes em favor do diálogo inter-religioso.

– Não é à toa que estamos reunidos no dia do seu sepultamento. É nosso dever preservar o legado de Sobel. Ao nos reunirmos, estamos fazendo isso – afirmou Kwasniewski.

Um minuto de silêncio foi respeitado.

Reflexões do arcebispo de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler, e do rabino Uri Lam (foto) marcaram o segundo e último dia do Encontro Nacional do Diálogo Católico-judaico. Realizada na Cúria Metropolitana, na Capital, a reunião de representantes das religiões terminou com orações e com a convicção de que é necessário buscar ações conjuntas.

Dom Jaime Spengler chamou a atenção para as diversas crises que países da América Latina enfrentam, e que formam um pano de fundo para a realidade brasileira. Para o arcebispo, a transmissão da fé para as novas gerações precisará estar fundamentada em quatro pilares: a humanidade, a proximidade, a empatia e a espiritualidade.

“O diálogo inter-religioso nos ajudará neste sentido. Escutar é um gesto de acolhimento, de colocar-se no lugar do outro. Há um texto medieval atribuído a São Francisco que fala sobre o silêncio na relação com as diferenças. Silenciar não como um censurado ou omisso, mas como um modo de ser: sem preconceito, sem sentimento de superioridade, sem o desejo de ser reconhecido. Se mudamos a compreensão do que somos, mudamos o que fazemos. E o que fazemos, muda o mundo”, afirmou.

O rabino Uri Lam destacou que nenhuma religião é detentora da verdade suprema, o que justifica que ambas invistam na aproximação. Lam lembrou a teoria que visa promover um ecumenismo profundo, que considera que as necessidades de toda a humanidade são melhor atendidas quando há respeito a outros caminhos religiosos e colaboração.

“Cada tradição religiosa é um órgão no corpo da humanidade coletiva; e por eles passa o mesmo sangue”, afirmou.

O encontro da Comissão Nacional de Diálogo Religioso Católico-Judaico da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ocorreu no domingo e nesta segunda-feira em Porto Alegre e teve como tema “Construindo pontes numa sociedade indiferente”.