Orquestra rompe barreiras e une inimigos históricos

O regente Daniel Barenboim entrou na sala de ensaios. Os músicos da West-Eastern Divan Orchestra, o improvável conjunto que ele criou há cerca de 20 anos com Edward Said, estavam afinando os instrumentos. “Estou muito, muito feliz em vê-los aqui”, disse Barenboim aos integrantes da orquestra, entre os quais há israelenses, palestinos e músicos de outros países árabes. “Estou muito feliz porque muitos de vocês que têm passaportes estranhos conseguiram entrar nos Estados Unidos”. As novas barreiras levantadas pelos EUA quase ameaçaram frustrar a atual excursão da orquestra a cinco cidades americanas. Os músicos com passaportes da Síria e do Irã, duas das nações mencionadas pelo presidente Donald Trump na proibição imposta a cidadãos desses países, foram liberados e a excursão pôde seguir em frente. E foi assim que Barenboim pôde ensaiar no Symphony Center de Chicago o “Dom Quixote” de Strauss. O que levantou uma indagação inevitável: como a orquestra se aproxima do seu 20º aniversário, e o sonho aparentemente modesto de poder tocar em todos os países de origem dos seus músicos agora parece fora de alcance, toda esta empreitada não poderia ser considerada impraticável? “Embora a situação política sinalize ser impraticável, quando estou com eles, essa possibilidade não parece nada impraticável”, disse Barenboim (Michael Cooper, NYT/O Estado de S.Paulo).