Palestinos dizem estar prontos para conversas diretas com Israel e admitem concessões territoriais ‘menores’

Em carta enviada ao Quarteto de Paz, a Autoridade Palestina afirma estar pronta para retomar negociações diretas com Israel e concorda com concessões territoriais “menores”.

O primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Mohammed Shtayyeh, disse em 9 de junho que a Autoridade Palestina esboçou uma resposta à proposta dos EUA, mas não mencionou anteriormente uma nova disposição para retomar as negociações diretas com Israel.

O governo de coalizão de Israel definiu o dia 1 de julho como a data a partir da qual poderia começar a anexar unilateralmente partes da Cisjordânia – os assentamentos e o estratégico Vale do Jordão -, conforme previsto na proposta de paz do presidente dos EUA, Donald Trump, para o Oriente Médio.

A AP disse que a contraproposta seria retirada se Israel prosseguisse com a anexação “de qualquer parte do território palestino”.

“Ninguém tem tanto interesse quanto os palestinos em chegar a um acordo de paz e ninguém tem tanto a perder quanto os palestinos na ausência de paz”, diz a carta de quatro páginas enviada ao Quarteto formado por representantes das Nações Unidas, Estados Unidos, Rússia e União Europeia.

“Estamos prontos para ter nosso estado com um número limitado de armas e uma poderosa força policial para defender a lei e a ordem”, afirma a AP, acrescentando que aceitaria uma força internacional como a NATO, com mandato da ONU, para monitorar o cumprimento das leis de um eventual tratado de paz.

O texto também propõe “pequenas mudanças nas fronteiras que serão acordadas mutuamente, com base nas linhas de 4 de junho de 1967”, quando as forças israelenses tomaram o controle da Cisjordânia.

Mais de 450.000 israelenses vivem na Cisjordânia, em assentamentos considerados ilegais pela maioria da comunidade internacional, ao lado de cerca de 2,8 milhões de palestinos.

A proposta de Washington prevê a eventual criação de um estado palestino, mas em território reduzido e sem a principal demanda dos palestinos de uma capital em Jerusalém Oriental.

O plano foi totalmente rejeitado pelos palestinos. A União Europeia se opõe e está exigindo que Israel abandone suas ambições de anexação.