Para conter vírus, Israel proíbe entrada de estrangeiros e impõe isolamento de duas semanas para quem volta do exterior

Todos os israelenses que voltarem do exterior serão colocados em isolamento por 14 dias, segundo anunciou ontem o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. A decisão faz parte de uma série de medidas anunciadas ontem pelo governo para conter a propagação do coronavírus.

Até o momento, mais de 80 mil pessoas estão em quarentena e o país já tem 58 casos confirmados da doença.

Na sexta-feira, 6, o país já havia decidido fechar suas fronteiras com a Síria e o Líbano, por conta do vírus. O governo proibiu a entrada de qualquer estrangeiro, por terra, ar ou mar, no território israelense, afirma o jornal Monitor do Oriente Médio.

“Após um dia de intensas discussões, tomamos a decisão: quem chegar a Israel do exterior entrará em quarentena por 14 dias”, disse Netanyahu em comunicado divulgado em vídeo nesta segunda-feira (9), quando havia 50 casos de israelenses diagnosticados com coronavírus. “Essa é uma decisão difícil, mas é essencial para manter a saúde pública, que tem precedência sobre tudo”.

A mensagem veio menos de uma hora depois que o Ministério da Saúde de Israel anunciou que mais três pessoas foram diagnosticadas com coronavírus: pacientes 40, 41 e 42. Também veio duas horas antes que os pacientes 43 a 50 fossem anunciados.

“Esta decisão entrará em vigor por duas semanas”, continuou ele. “Ao mesmo tempo, tomaremos decisões para salvaguardar a economia israelense”.

Especificamente, o requisito de isolamento se aplica a viajantes israelenses e estrangeiros. Nenhum não-cidadão poderá entrar em Israel sem provar que tem um lugar para ficar de fora da quarentena.

Os turistas que já estão em Israel terão alguns dias para organizar seus vôos de volta.

O Ministério da Saúde está pedindo que esses turistas sigam cinco diretrizes: 1) Liguem para Magen David Adom se sentir algum sintoma; 2) tenham cuidado com a sua higiene pessoal; 3) fiquem longe de reuniões públicas; 4) entendam que se saírem não poderão retornar ao país e; 5) comuniquem seu paradeiro enquanto estiverem em Israel.

A quarentena não se aplica retroativamente, explicou o diretor geral do Ministério da Saúde, Moshe Bar Siman Tov. Embora tenha alertado que qualquer israelense ou turista que tenha chegado país nos últimos 14 dias e apresente sintomas do vírus – como febre, tosse ou dificuldade em respirar – deve ligar para o MDA e fazer o teste.

“Sabemos que o impacto econômico é dramático, mas a saúde está acima de tudo”, disse ele, alertando que se Israel não tomar medidas duras o suficiente, o país pode acabar como a Itália, que sofre uma pressão insustentável em seu sistema de saúde e severos desafios econômicos como resultado da rápida disseminação do vírus.

Ele disse que, “se a situação mudar, mudaremos nossas políticas”.

“Esta é uma epidemia em nível global”, disse o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante entrevista coletiva na segunda-feira.

Os pacientes 41 e 42 são de Tel Aviv e viajaram recentemente para a Europa. O paciente nº 41 é um homem de 52 anos que retornou a Israel da Áustria via Suíça em 6 de março. O paciente nº 42 é um homem de 41 anos da região de Sharon que retornou da Espanha em 2 de março e está em isolamento desde 4 de março. A paciente nº 43 é uma mulher de 40 anos do centro de Israel que voltou da França. A paciente nº 44 é uma mulher, também da região central de Israel, que voltou de uma missão na Espanha. A paciente nº 45 é uma mulher de 60 anos de Jerusalém que estava em contato com uma paciente com coronavírus.

No domingo, o Ministério da Saúde anunciou mais de uma dúzia de novos casos de coronavírus em Israel – pacientes de 26 a 39 anos. Ainda não se sabe como um desses pacientes, nº 29, foi infectado pelo vírus.

O coronavírus está se espalhando rapidamente. As autoridades de saúde do Reino Unido informaram que o número de pessoas infectadas no país aumentou de 273 para 319 na segunda-feira. As autoridades francesas também confirmaram que 1.191 pessoas foram diagnosticadas com o vírus até o momento e que mais duas pessoas morreram nas últimas 24 horas.

A Itália continua sendo o país com o maior número de casos na Europa.

“Como você sabe, no fim de semana cruzamos os 100.000 casos relatados de COVID-19 em 100 países”, disse Ghebreyesus durante a entrevista. “É preocupante que tantas pessoas e países tenham sido afetados tão rapidamente.

“Agora que o vírus está presente em muitos países, a ameaça de uma pandemia se tornou muito real”, acrescentou.

Mas ele disse que essa seria a primeira pandemia da história que poderia ser controlada.

“A grande vantagem que temos é que as decisões que todos tomamos – através de governos, empresas, comunidades, famílias e indivíduos – podem influenciar a trajetória dessa epidemia”, disse ele. “Precisamos lembrar que, com ações decisivas e preventivas, podemos conter o vírus e prevenir infecções”.