Parlamentares aprovam projeto de dissolução do Knesset e Israel pode ter a quarta eleição em 2 anos

Parlamentares israelenses aprovaram nesta quarta-feira um projeto de lei da oposição para dissolver o Knesset, preparando o cenário para a quarta eleição nacional em dois anos, depois que o ministro da Defesa, Benny Gantz, e seu partido Azul e Branco romperam com a coalizão e votaram a favor da medida.

O projeto foi aprovado por 61 votos contra 54.

O apoio de Gantz ao projeto de lei da oposição provavelmente significará o fim de sua parceria de divisão de poder com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, cerca de seis meses depois de ele concordar em ingressar em um governo de unidade para lidar com a crise do coronavírus.

A medida ainda deve passar por uma comissão e por mais três leituras no Knesset antes que novas eleições sejam convocadas.

“A dissolução do Knesset não é uma vitória, é o primeiro passo em direção a um governo diferente, que lidará com o coronavírus e a economia e não fará com que os israelenses se odeiem”, tuitou o líder da oposição Yair Lapid, que propôs a medida, depois que o projeto foi aprovado.

Miki Zohar, um aliado do Likud de Netanyahu, acusou o Azul e Branco e a oposição de “arrastar” novamente os israelenses para as urnas.

“A única coisa em comum entre os partidos que compõem a oposição e Azul e Branco é sua ambição de prejudicar o mandato de Netanyahu”, escreveu ele no Twitter. “Este é um momento triste para o povo israelense”.

Gantz anunciou na noite desta terça-feira que apoiaria a medida, acusando Netanyahu de cometer um “ataque terrorista econômico” ao se recusar a permitir que os orçamentos de 2020 e 2021 avancem.

Se o projeto de dissolução do Knesset não for aprovado, o governo tem até 23 de dezembro para aprovar um orçamento de 2020 ou o governo cairá e as eleições serão automaticamente agendadas para 23 de março de 2021.

Enquanto isso, uma pesquisa de opinião previa que uma nova eleição teria uma maioria confortável para a direita, incluindo a oposição Yamina, que surgiu como rival potencial do partido Likud do primeiro-ministro. No entanto, a pesquisa indicou que era improvável que um governo não liderado por Netanyahu fosse formado.

O plenário foi convocado às 11 horas (locais), com a votação para dissolver o Knesset realizada várias horas depois, pois era o último item da ordem do dia.

Antes da votação, Lapid pediu aos legisladores que apoiassem o projeto, protestou contra a forma como o governo lida com a pandemia e acusou os líderes políticos de destruir o tecido social de Israel.

Antes da votação, houve uma disputa de última hora dentro da Lista Conjunta predominantemente árabe, cujo partido religioso islâmico Ra’am acabou decidindo não apoiar o projeto de lei e ficar de fora da votação em meio a um aquecimento das relações entre seu líder, Mansour Abbas, e Netanyahu.

Outros membros da Lista Conjunta usaram seus discursos no plenário para implorar pela unidade dentro da aliança árabe e argumentaram contra a dissolução do partido, como consequência da decisão de Ra’am. Antes da discussão no Knesset, muitos membros do partido postaram declarações detalhadas sobre por que o projeto de lei deve ser apoiado e expressaram críticas implícitas a Abbas, sem mencioná-lo pelo nome.

O líder do Meretz, Nitzan Horowitz, criticou Gantz por ter entrado na coalizão de governo, dizendo que sua força motriz era o interesse pessoal de Netanyahu em evitar as acusações de corrupção contra ele.

“Se você tivesse nos ouvido, Benny Gantz teria sido o primeiro-ministro e Netanyahu teria deixado (a residência oficial na) Balfour há muito tempo”, disse ele, dirigindo-se ao Azul e Branco. “Alguns em nosso campo cuspiram na cara dos eleitores, renegaram todas as suas promessas e se arrastaram para este governo de vergonha e desgraça. Aqueles que se viam como líderes desistiram quando a batalha começou”. “Nas próximas eleições, o público não votará em partidos com cavalos de Troia”, acrescentou Horowitz.

A parlamentar do Meretz Tamar Zandberg ecoou esse sentimento, contestando a declaração de Gantz na noite de terça-feira de que Netanyahu não mentiu para ele pessoalmente, mas sim para o povo israelense. Ela também pediu cooperação política entre judeus e árabes nas próximas eleições.

Apesar da aprovação da moção, o governo não cairá automaticamente. Após a leitura preliminar, o projeto irá para o Comitê da Câmara do Knesset – controlado pelo Azul e Branco – onde é provável que permaneça pelo menos até segunda-feira para favorecer uma chance de negociações com o Likud, o que as mídias dizem que são improváveis para produzir um acordo.

Após a aprovação de uma comissão, o projeto terá que ser apoiado pelos legisladores em mais três leituras. Se isso acontecer, o Knesset será dissolvido e os parlamentares terão que definir uma data para as eleições, que deverá acontecer entre março e junho de 2021.