Parlamento alemão aprova resolução pedindo ao governo que proíba a atividade do Hezbollah

O Bundestag (Parlamento alemão) aprovou resolução nesta quinta-feira pedindo ao governo de Berlim que proíba as atividades da organização terrorista libanesa Hezbollah, apoiada pelo Irã.

A moção não vinculativa foi apoiada pelos dois principais partidos que compõem a coalizão de governo na Alemanha, bem como por um pequeno partido de oposição chamado FDP, passando assim por grande maioria. Os outros três partidos representados no Bundestag se abstiveram. Ninguém votou contra a resolução.

Durante o debate, alguns críticos observaram que a resolução era efetivamente menor que uma proibição da organização.

Dois partidos da oposição – os Verdes e a Alternativa de Extrema Direita para a Alemanha – propuseram suas próprias resoluções sobre o Hezbollah, mas ambas não foram aprovadas.

A resolução pede ao governo que “adote uma proibição de todas as atividades do Hezbollah na Alemanha, assim como a promoção de eventos por representantes da organização, que violem o princípio internacional”.

Além disso, insta Berlim a abandonar a distinção que atualmente faz entre as alas política e militar do Hezbollah.

“Congratulamo-nos com a importante e significativa resolução adotada hoje pelo Bundestag, que se refere ao Hezbollah pelo que é: uma organização terrorista, sem distinção entre suas alas militar e política”, disse o embaixador de Israel na Alemanha, Jeremy Issacharoff.

“O Hezbollah é doutrinado, treinado e financiado pelo Irã e representa uma ameaça não apenas aos civis israelenses, mas também prejudica a soberania libanesa e a estabilidade regional. Como a resolução indica, essa organização representa uma ameaça direta aos interesses de segurança alemães e israelenses”, destacou.

Issacharoff disse ainda que Jerusalém aprecia o fato de essa moção ter sido apoiada por parlamentares do governo e dos partidos da oposição. “A política externa deve refletir a realidade e a resolução do Bundestag é claramente uma etapa crucial que esperamos incentivar outros (países) a tomarem medidas semelhantes contra o Hezbollah”, disse ele.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, afirmou em tuíte antes da votação: “O Hezbollah nega o direito de Israel existir, ameaça e está se armando em grande escala. Na Síria, é o assistente brutal do (Presidente Bashar) Assad”. “Na Alemanha, precisamos esgotar todos os meios do Estado de direito para enfrentar as atividades terroristas e criminosas do Hezbollah”.

Atualmente, Berlim adota a política da União Europeia, que reconhece apenas a “ala militar” do grupo como uma organização terrorista, mas se recusa a incluir o “ramo político” na classificação.

No entanto, a Holanda e o Reino Unido já reconhecem a organização como terrorista em sua totalidade. Nesse contexto, o governo dos EUA tem pressionado Berlim a seguir o exemplo.

“Hoje é um bom dia para a vida judaica na Alemanha”, disse Benjamin Strasser, autor da resolução. “O Bundestag pressionará a França a desistir de sua oposição tradicional à proibição do Hezbollah em toda a Europa”, acrescentou. “Sou Yisrael Chai (o povo de Israel vive). Feliz Natal, feliz Chanucá”, disse ele em breve discurso.

“É inaceitável que o Hezbollah esteja travando uma guerra de terror contra Israel no Oriente Médio e financiando isso através de atividades criminosas em todo o mundo”, disse no Bundestag Mathias Middelberg, porta-voz da aliança CDU da chanceler Angela Merkel.

“À luz da responsabilidade da Alemanha em relação a Israel, instamos o governo federal a proibir qualquer atividade do Hezbollah na Alemanha. As violações devem ser punidas com rigor”, completou.

De acordo com a resolução elaborada pelo deputado Benjamin Strasser, de 32 anos, do FDP, cerca de 1.000 apoiadores do Hezbollah atualmente vivem na Alemanha. E esse número vem aumentando, segundo observou. Ele pede ao governo que recorra a todos os meios legais para acompanhar de perto, processar e proibir todas as atividades do grupo, incluindo lavagem de dinheiro e patrocínio ao terrorismo.

Também pede que Berlim continue a defender ativamente as preocupações legítimas de segurança de Israel como um “pilar central da política externa e de segurança alemã” e trabalhe com parceiros internacionais para “impedir a influência do Hezbollah no Oriente Médio, especialmente na Síria”.

Em seu preâmbulo, a resolução cita o serviço de inteligência doméstico da Alemanha, estimando que o Hezbollah “continua a planejar e executar atos de terrorismo contra Israel ou interesses israelenses, também fora do Oriente Médio”. O compromisso de Berlim com a segurança de Israel exige um esforço para impedir que a Alemanha seja um canal para arrecadação e envio de dinheiro para o Hezbollah no Líbano, diz ainda a resolução.