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Partido árabe-israelense admite compor nova coalizão governista 

Mansour Abbas, líder do Ra’am, que fazia parte da Lista Conjunta Árabe, se reuniu nesta terça com líderes do bloco de oposição – Yair Lapid, do Yesh Atid, e Nafatali Bennet (Yamina) – e admitiu a possibilidade de compor a nova coalizão de governo. Após o encontro, Abbas, cujo apoio de seu partido islâmico certamente será necessário para compor a “mudança de governo”, disse que está otimista com a possibilidade de uma coalizão ser formada e que fará parte dela, mas destacou que um acordo final ainda não foi concretizado.
“Não se pode dizer que acabou (a negociação) até que esteja concluída”, disse ele à emissora pública Kan ao chegar a um hotel em Ramat Gan, onde os líderes dos partidos estão reunidos tentando resolver aos últimos obstáculos para a formação de um governo que substituirá o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Ontem, Abbas se encontrou com a número 2 do Yamina, Ayelet Shaked, com quem discutiu a possibilidade de um membro de seu partido ocupar o cargo de vice-ministro, ou ministro, do Interior no futuro governo, segundo revelou o jornal Haaretz. Não houve declaração de nenhum dos lados sobre o que foi conversado.
Ao sair da reunião, Abbas foi confrontado pelo pai do cadete Shir Hajaj, um dos quatro soldados mortos em um ataque terrorista em 2017 em Jerusalém. O pai, Herzl Hajaj, acusou Abbas de denunciar o terrorismo em hebraico, mas expressar apoio aos terroristas em árabe. Abbas negou fazer isso.
Após a reunião, o líder do Ra’am também negou informações de que um de seus legisladores se oporia ao estabelecimento de um governo liderado por Bennett e Lapid. Uma declaração do partido citou a parlamentar Mazen Ghanaim negando as acusações.
Relatos da imprensa israelense afirmam que as negociações de Lapid e Bennett com os demais líderes dos partidos de oposição estão na fase final. Bennet já aceitou o convite para ser primeiro-ministro num primeiro mandato de um governo de rotação com Lapid,
Lapid tem até a meia-noite desta quarta-feira para anunciar a formação do novo governo. Se não conseguir até lá o mandato irá para o Knesset, que indicará um parlamentar para cumprir a tarefa.
Nesta terça, o assessor jurídico do presidente Reuven Rivlin rejeitou a contestação do partido Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de que o novo governo não poderia permitir que Naftali Bennett servisse como seu primeiro premiê.
O consultor jurídico do gabinete do presidente Reuven Rivlin, Udit Corinaldi-Sirkis, disse em comunicado que não havia razão legal para que o parlamentar encarregado de formar a coalizão não servisse como primeiro-ministro suplente durante a primeira parte do mandato do novo governo.
As negociações, que começaram nesta segunda-feira e continuaram até tarde da noite, viram mais avanço entre Yesh Atid e Yamina, bem como com a Nova Esperança, de Gideon Sa’ar, que também se juntou a algumas das conversas no hotel Kfar Maccabiah perto de Ramat Gan.
Os parlamentares Ayelet Shaked (Yamina) e Ze’ev Elkin (Nova Esperança) também participaram das conversas, assim como representantes de Ra’am (Lista Árabe Conjunta). O Partido Azul e Branco, de Benny Gantz, também enviou sua equipe de negociação.

Foto: Olivier Fitoussi/Flash90