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Partidos buscam novas alianças para quebrar o impasse e formar um governo em Israel

O líder do Nova Esperança, Gideon Sa’ar, pode se juntar a um governo liderado pelo partido Yesh Atid, de Yair Lapid, se este e o líder do Yamina, Naftali Bennett, concordarem em se alternar no cargo de primeiro-ministro, de acordo com matéria divulgada pela televisão.

Fontes próximas a Sa’ar disseram à emissora Kan que se Lapid formar uma coalizão de governo, sem Bennett, “será apenas um governo de esquerda”.

Embora Sa’ar tenha dito, antes das eleições do dia 23, que Lapid não será primeiro-ministro, mais tarde ele se recusou a descartar a possibilidade de integrar um governo liderado pelo chefe do Yesh Atid. Em contraste, Bennett se comprometeu a não fazer parte de um governo liderado de qualquer forma – exclusivamente ou por meio de um acordo de divisão de poder – por Lapid.

O centrista Yesh Atid, com 17 cadeiras, é o maior partido no “bloco de mudança” de grupos que se opõem ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Outro partido anti-Netanyahu, Nova Esperança, tem seis cadeiras, enquanto Yamina, que não se comprometeu com nenhum bloco, tem sete.

Notícias do Canal 13 relataram que Bennett se recusa a se comprometer com a saída de Netanyahu a menos que ele receba o cargo de primeiro-ministro, que Lapid não cede.

Apesar da demanda ambiciosa, Bennett disse a seus companheiros de partido e ativistas próximos que mantém seu compromisso de garantir que Israel não vá a um quinto turno de eleições em dois anos, de acordo com o Canal 12.

A emissora também afirmou que aliados de Netanyahu propuseram que ele renuncie aos esforços para formar um novo governo e, em vez disso, busque a presidência, depois de mais uma vez não conseguir obter a maioria nas eleições gerais. Netanyahu estaria descartando tal caminho, preferindo continuar seus esforços para formar uma coalizão e permanecer como presidente do partido Likud.

O primeiro-ministro já havia descartado propostas para ser indicado como presidente.

O mandato de sete anos do presidente Reuven Rivlin como décimo presidente de Israel está previsto para terminar em julho. Os presidentes israelenses são escolhidos pelos parlamentares do Knesset e historicamente são políticos.

Com Netanyahu e seus aliados religiosos de direita sem maioria no Knesset, não está claro se o líder do Likud terá apoio parlamentar suficiente para ser eleito presidente, mesmo que ele decida aceitar a indicação.

Também não está claro que efeito a eleição de Netanyahu para o cargo teria em seu julgamento por corrupção. As Leis Básicas de Israel impedem que o presidente responda a julgamento por acusações criminais, embora o do premier tenha começado no ano passado.

De acordo com a reportagem da TV, que não citou uma fonte, Netanyahu está preocupado com a potencial formação de um governo sem ele que incluiria os partidos Haredi aliados do Likud e os religiosos sionistas de extrema direita, junto com Yamina, Nova Esperança, Azul e Branco e possivelmente o Yesh Atid de Lapid.

De acordo com o Canal 13, Rivlin está tentando encurtar o processo de escolha do próximo candidato a primeiro-ministro e avalia indicar a tarefa a apenas um político capaz de formar uma coalizão, antes de passar o mandato ao Knesset.

Normalmente, se a primeira pessoa a ter a chance de formar um governo falhar, outra pode ser encarregada de fazê-lo, mas o impasse atual pode tornar isso supérfluo. Depois disso, o Knesset tem três semanas para que 61 parlamentares recomendem alguém como primeiro–ministro, ou novas eleições serão automaticamente convocadas.

Foto: Yonatan Sindel/Flash90