Pensamentos e reflexões enviados pelos rabinos em tempos de Coronavírus

Para confortar e orientar, em razão da pandemia do COVID-19, rabinos estão enviando mensagens à comunidade. A Conib está divulgando algumas destas mensagens.

O rabino Ruben Sternschein, da CIP, ressalta que o Coronavírus nos traz novas questões. “Antes se afastar era indiferença, e agora é cuidado e amor. Antes a tecnologia nos alienava e agora nos une”, reflete ele. Depois de falar sobre as pessoas que saem a comprar um litro de álcool gel para si mesmas, o rabino cita uma passagem sobre o patriarca Isaac que escavou poços, encontrou água, e por duas vezes e foi expulso pelos locais, porque era diferente, por ser marginal, imigrante. Só no terceiro local, quando todos já tinham água, Isaac pode usufruir, só porque o outros também tinham água. Sternschein fala ainda sobre a fantasia rabínica sobre as tábuas da lei quebradas. Segundo a fantasia (midrash), Moises não teria jogado as tábuas. As letras gravadas nas tábuas teriam força própria e elevavam Moises, mas ao verem o bezerro de ouro, teriam saído voando. As tábuas teriam então ficado pesadas demais para Moises e caíram. As tábuas eram levadas e levavam Moises, disse o rabino. “Nós levamos e somos levados ao mesmo tempo. Quando ajudamos, somos ajudados. Quando cuidamos, somos cuidados. E em todas as situações nos fortalecemos.”

Para o rabino Chaim Gourarie, do Chabad das Vilas, é preciso atentar para a importância de pensarmos de forma positiva. Ele cita um conceito hassídico cabalístico que diz que quando pensamos positivo, isso traz energias positivas para as nossas vidas. “Todos nós estamos sendo inundados por mensagens negativas, por mensagens preocupantes. Eu entendo a seriedade do momento, porém o momento é de focarmos em positividade, em coisas boas. Vamos nos unir, vamos nos ajudar “ diz em sua mensagem.

O Rabino Samy Pinto, da Sinagoga Ohel Yacov, compartilha uma reflexão, lembrando que a Torah já citava casos de isolamento social, no caso de doentes com hanseníase (lepra). Segundo explica, a doença era vista como uma consequência da maledicência (lashon hará), que trazia o isolamento social àquele que não estava sabendo conviver em sociedade. “Nós não estamos sabendo viver em sociedade, nós estamos atropelando o outro, nós estamos devorando o outro, estamos enciumados, com inveja, estamos indiferentes a dor do outro. Portanto, não merecemos estar socialmente aglomerados” assinala. “Por que estamos vivendo isso senão pra dizer que quando estávamos em sociedade, não estávamos vivendo corretamente”, finaliza o rabino.

Veja abaixo os videos:

Cuidar, cuidar-se, ser cuidad@:Torá, CoronaVirus e solidariedade

Publicado por Ruben Sternschein em Terça-feira, 17 de março de 2020