Personalidades lamentam a morte de Sobel

Inúmeras personalidades lamentaram a morte do rabino Henry Sobel na última sexta-feira (22), destacando a sua importante atuação na defesa dos direitos humanos e no processo de redemocratização do País. Veja abaixo:

Fernando Lottenberg, presidente da Conib, afirmou: “A comunidade judaica e o Brasil perdem não só um defensor inegável dos direitos humanos e dos valores judaicos, mas uma figura ímpar, que deixou uma forte marca na história do país. Conheci Sobel e com ele convivi desde que chegou ao Brasil, quando atuava em movimentos juvenis na CIP. Posteriormente, já na Conib, acompanhei sua atuação no diálogo inter-religioso e na representação política. Sobel ampliou significativamente a projeção da comunidade judaica para a sociedade brasileira e modernizou sua forma de atuar. Vai fazer muita falta”.

Claudio Lottenberg, ex-presidente da Conib e atual presidente de seu Conselho Consultivo: “Saudade, meu querido amigo Henry. Ainda me lembro da prédica que fez em meu bar-mitzvá, em que falou do conceito de time. Ele disse que olhamos para os jogadores que estão em campo, mas esquecemos de olhar para os reservas. O que isso significa é que o que se espera, da contribuição de um time, nem sempre é o que se enxerga. Eu, desde então, entendi que era preciso trabalhar em equipe. Sobel me apoiou tanto para presidência da Conib quanto para a presidência do Einstein. Além disso, Sobel posicionou o judaísmo não pela ortodoxia, mas em um patamar que deixava de lado as diferenças”.

Para Jack Terpins, também ex-presidente da Conib e presidente honorário do Congresso Judaico Latino-Americano: Henry Sobel foi o “maior líder que a comunidade (judaica) teve”. “Não teve igual a ele. Era muito respeitado por todo mundo. Quando se falava em judeu, ligavam pra ele”. Terpins relata que Sobel circulava entre o meio político e religioso. “Vemos calar, hoje, essa voz firme que ecoava não apenas na comunidade judaica, mas na sociedade em geral. Vale ressaltar que Henry Sobel foi o precursor do Diálogo Inter-Religioso. Sobel foi o maior líder comunitário de todos os tempos. Ele me acompanhou em todos os momentos de minha vida, foi um grande amigo”, lamentou.

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso declarou: “A contribuição de Sobel para a redemocratização e o diálogo entre religiões no Brasil foi incomensurável. O nosso país é devedor da sua coragem ao recusar a farsa da versão oficial da ditadura de que a morte de Vladimir Herzog teria sido um suicídio.

O seu trabalho junto com dom Paulo Evaristo Arns e o reverendo James Wright em defesa dos direitos humanos trouxe luz a um período sombrio da nossa história. Sobel era um dos protagonistas e um exemplo dessa bela história de tolerância e diálogo inter-religioso”.

Tive a honra de participar com Sobel de várias cerimônias em memória das vítimas do Holocausto na Congregação Israelita Paulista. Nenhum de nós pode deixar que a memória do Holocausto seja apagada e que tais tragédias se repitam. E cabe também a todos nós, brasileiras e brasileiros, preservarmos a memória das ações de Sobel pela democracia e pela tolerância e liberdade religiosa”, concluiu.

João Doria (PSDB), governador de São Paulo: “Lamento a morte do Rabino Henry Sobel, um grande defensor dos direitos humanos. À família, amigos e comunidade judaica, meus profundos sentimentos de pesar”.

Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo: “Lamento profundamente a morte do rabino Henry Sobel, que teve uma história de luta e dedicação pelo Brasil e por São Paulo. Impossível não lembrar o papel relevante que Sobel teve no período da ditadura militar no Brasil. Em 1975, por exemplo, ele se recusou a fazer o enterro do jornalista Vladimir Herzog na ala destinada aos suicidas do cemitério israelita do Butantã. Dessa forma denunciou a farsa montada na versão oficial para a morte. Exemplos como esse devem ser lembrados por todos nós, principalmente em momentos em que a democracia se vê ameaçada”.

Ivo Herzog, do Instituto Vladimir Herzog: “Henry Sobel foi a primeira pessoa, representando uma instituição, que denunciou o assassinato do meu pai, poucas horas depois do ocorrido. Junto com dom Paulo Evaristo Arns e James Wright, corajosamente, promoveu e esteve presente no ato ecumênico em memória de meu pai na Catedral da Sé. Quebrando protocolos do judaísmo, enfrentando resistência dentro da comunidade judaica, foi um dos protagonistas que abriram caminho para o fim da ditadura no Brasil. Se meu pai foi uma das vítimas daquele período, Henry Sobel foi um dos grandes heróis. Registro aqui minha homenagem e saudades desta pessoa que faz parte da minha vida”.