Pesquisa da ADL em 18 países revela aumento do antissemitismo; presidente da Conib fala sobre a situação no Brasil e na América Latina

Uma ampla pesquisa da Liga Anti-Difamação (ADL) entre 9 mil pessoas de 18 nações revelou um forte aumento do antissemitismo, com 25% dos europeus arraigados a crenças antissemitas e a estereótipos de que judeus querem dominar o mundo e de que estariam sendo mais favoráveis a Israel do que a seus países de origem.

O presidente da Conib, Fernando Lottenberg, participou de uma mesa-redonda sobre antissemitismo, na ADL, em Nova York, e falou sobre a situação no Brasil e na América Latina. Ele avaliou que houve algum aumento no antissemitismo, mas considerou que “a situação no País é positiva, comparada com a de outros países”. Leia mais sobre a pesquisa.

Em outros países, porém, a situação é preocupante. “É profundamente preocupante que aproximadamente um em cada quatro europeus abrigue crenças antissemitas que persistem desde antes do Holocausto”, disse o CEO da ADL, Jonathan A. Greenblatt. “Essas descobertas servem como um poderoso alerta de que há ainda muito trabalho a ser feito, para educar amplos setores da população em muitos desses países a rejeitar a intolerância, além de se buscar garantias para as urgentes necessidades de segurança diante do aumento de incidentes violentos contra judeus”, advertiu Greenblatt.

A pesquisa deste ano sobre antissemitismo encomendada pela ADL revelou que um em cada quatro europeus tem atitudes fortemente negativas em relação aos judeus. Embora o documento reflita pouca mudança na Europa Ocidental, os entrevistados de países da Europa Central e Oriental demonstraram um aumento acentuado em crenças antissemitas e em estereótipos sobre judeus controlando negócios e finanças e sendo mais leais a Israel do que seu país de origem.

A pesquisa, baseada em 11 perguntas que a ADL usa em pesquisas globais desde 1964, consultou mais de 9.000 adultos em 18 países da Europa, Canadá, África do Sul, Argentina e Brasil entre abril e junho deste ano. O estudo revelou um forte aumento de incidentes antissemitas em vários países: a Argentina registrou um aumento de 6%; a Polônia de 11%; a Rússia de 8%; o Brasil e a África do Sul 9% e a Ucrânia com 14%. O aumento foi registrado em comparação com pesquisa anterior feita em 2014 e atualizada em 2015.

A pesquisa também indicou que o discurso político pode influenciar no antissemitismo. Na Polônia, onde questões polêmicas, como a indenização sobre propriedades de judeus confiscadas no período do Holocausto e a adoção de uma lei que prevê punição a quem se referir a ‘campos de extermínio poloneses’,  quase metade de todos os entrevistados – 48% – apresentou uma visão negativa dos judeus, contra um índice de 37% registrado em 2015. Quase três quartos dos entrevistados concordaram que “os judeus ainda falam demais sobre o que aconteceu com eles no Holocausto”. Em resposta à mesma pergunta, a Holanda registrou 31%, o Reino Unido 18% e a Suécia 15%.

Na Hungria, onde as campanhas anti-imigração patrocinadas pelo governo estão centradas no bilionário judeu George Soros, 25% dos entrevistados acreditam que “os judeus querem enfraquecer a cultura nacional, apoiando mais imigrantes que chegam ao país”. O índice de antissemitismo registrado na Hungria foi de 42%, comparado aos 40% em 2015.

Os estereótipos sobre o controle judaico dos negócios e dos mercados financeiros são extremamente difundidos em todos os setores, mas são mais altos nos países da Europa Central e Oriental. Questionados sobre se concordavam com a afirmação de que “os judeus têm poder demais no mundo dos negócios”, 72% dos ucranianos responderam afirmativamente, assim como 71% dos húngaros, 56% dos poloneses e 50% dos russos.

A Itália e a Áustria demonstraram quedas significativas no antissemitismo. A Itália teve queda de 11% e a Áustria de 8%. A situação na Bélgica, na Alemanha e na Dinamarca permaneceu praticamente inalterada, com médias de 24%, 15% e 10%, respectivamente.