Yonatan Sindel/Flash90

Pesquisa prevê impasse após nova eleição em Israel, com blocos de parlamentares divididos entre 60 e 60

Uma pesquisa de televisão divulgada nesta quarta-feira mostrou que as eleições de 23 de março poderiam terminar em novo impasse político, com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seus rivais sem um caminho claro para formar um governo.

A pesquisa do Canal 12 também mostrou quatro partidos pairando em torno do limite eleitoral mínimo. O fracasso de qualquer um desses partidos em entrar no Knesset poderia dar ao bloco pró ou anti-Netanyahu uma ligeira maioria.

De acordo com a pesquisa, o Likud de Netanyahu deve ser o maior partido com 28 cadeiras, contra as atuais 36 no Knesset. Uma pesquisa divulgada pela rede na semana passada deu ao Likud 29 assentos.

O partido centrista Yesh Atid, do líder da oposição Yair Lapid, obteve 19 cadeiras na pesquisa, uma queda em relação à outra enquete realizada da semana passada.

A pesquisa apurou que o partido Yamina, de direita, de Naftali Bennett, receberia 13 cadeiras se as eleições fossem realizadas hoje, superando o ex-ministro do Likud Gideon Sa’ar’s, da Nova Esperança, com 11 cadeiras. A Nova Esperança chegou a 21 cadeiras depois que Sa’ar anunciou em dezembro que estava deixando o Likud para desafiar Netanyahu, mas vem perdendo apoio de forma constante. Uma pesquisa feita pelo Canal 13 divulgada na terça-feira mostra a Nova Esperança com menos de 10 assentos.

A Lista Conjunta, uma aliança de três grupos de maioria árabe, obteve nove cadeiras na pesquisa, seguida pelo partido ultraortodoxo Shas com oito. O partido haredi Judaísmo da Torá Unido, e o secularista de direita Yisrael Beytenu conseguiram sete cadeiras cada um, enquanto o Partido Trabalhista de centro-esquerda obteve seis.

Ultrapassando o limiar eleitoral com quatro cadeiras cada, estavam o ministro da Defesa, Benny Gantz, do Azul e Branco, o Meretz, de esquerda, e o Sionismo Religioso, de extrema direita. Várias pesquisas recentes, incluindo a do Canal 12 na semana passada, mostraram que o Meretz ficaria aquém da participação de 3,25 por cento do total de votos necessários para entrar no Knesset;

O partido islâmico Ra’am, que saiu da Lista Conjunta, ficou um pouco abaixo do limite, com 3,1% na pesquisa.

A pesquisa do canal 12 deste 10 de março mostra ainda que, juntos, os partidos de oposição a Netanyahu tinham 60 cadeiras, uma a menos que a maioria no Knesset de 120 cadeiras. A pesquisa deu ao bloco religioso de direita de Netanyahu 47 assentos, que aumentariam para 60 se Yamina aderir.

Questionados sobre quem era o mais adequado para ser primeiro-ministro, 35% dos entrevistados disseram Netanyahu, 20% Lapid, 12% Sa’ar e 10% Bennett. Quinze por cento disseram não ter preferência entre os quatro e 8% não souberam responder.

A pesquisa também perguntou aos apoiadores do bloco de Netanyahu se eles apoiariam um governo liderado por Ra’am, que indicou que pode apoiar uma coalizão liderada por Netanyahu se entrar no Knesset. Cinquenta e cinco por cento desses eleitores disseram não, enquanto 28% disseram sim.

Mas 49% dos entrevistados que apoiam um partido no bloco anti-Netanyahu disseram que concordavam em confiar na Lista Conjunta se seu apoio fosse necessário para formar um governo, enquanto 43% se opuseram a isso.

Em entrevista divulgada na terça-feira, Gantz pareceu descartar uma coalizão com o grupo antissionista Balad da Lista Conjunta. O parlamentar Miki Levy, do Yesh Atid, disse que embora esteja desconfortável com Balad, outros grupos da Lista Conjunta podem fazer parte do governo, enquanto Netanyahu descartou Ra’am e a Lista Conjunta durante uma entrevista na terça-feira à Rádio do Exército.

A pesquisa do Canal 12 foi conduzida pelo pesquisador Mano Geva entre 509 entrevistados, com uma margem de erro de 4,4% para mais ou para menos.

Embora as pesquisas sejam quase diárias em Israel nas semanas que antecedem as eleições e sejam vistas com restrições, em conjunto esses indicadores podem servir como um termômetro do clima político e antecipar um resultado final..

Pesquisas anteriores geralmente previam um impasse político após a eleição, sem que nenhum partido tivesse um caminho claro para formar uma coalizão majoritária.

As próximas eleições – as quartas em dois anos – foram convocadas depois que o governo de coalizão entre Likud e Azul e Branco não chegou a um acordo sobre um orçamento até o prazo de 23 de dezembro.

A eleição, como os três votos anteriores, é amplamente vista como um referendo sobre o governo de Netanyahu em meio ao seu julgamento em andamento por acusações de corrupção, bem como a forma como seu governo está lidando com a pandemia Covid-19.

Foto: Yonatan Sindel/Flash90