Pesquisadores israelenses de vacinas contra o coronavírus pretendem iniciar teste em humanos a partir de julho

Cientistas que correm em busca de uma vacina contra a COVID-19 no MigVax em Israel iniciarão uma avaliação de segurança e eficácia em roedores em maio, antes de iniciar testes em humanos durante os meses de verão no hemisfério norte, segundo informou uma autoridade da empresa nesta quarta-feira.

A MigVax, com sede em Kiryat Shemona, afiliada ao Migal Galilee Research Institute, está trabalhando para adaptar uma vacina desenvolvida nos últimos quatro anos contra o vírus da bronquite infecciosa (IBV) – uma cepa de coronavírus que causa doença brônquica em aves domésticas – para uso humano.

Os testes clínicos da fase em humanos começarão durante o verão de 2020 e durarão de seis a nove meses, disse o pesquisador e diretor da Migvax, Prof. Itamar Shalit, em um seminário online realizado pela plataforma OurCrowd, de Jerusalém.

“As pessoas pensam que basta testá-las e colocá-las em prática. Mas vamos precisar de muito mais que uma vacina. A fabricação da quantidade necessária para todo o mundo exigirá diferentes tipos de vacina”, disse Shalit, especialista em doenças infecciosas.

Os pesquisadores da MigVax querem adaptar a vacina para o coronavírus aviário em uma nova vacina humana de subunidade oral contra a COVID-19, com base em sua grande similaridade genética e mecanismo de infecção idêntico. Exceto por alguns ajustes genéticos necessários, os pesquisadores dizem que os mesmos conceitos de vacinação devem ser aplicados em seres humanos.

“É muito importante entender que, para suprimir o coronavírus e voltar à nossa vida normal, temos que investir em uma vacina que seja eficaz”, afirmou Shalit. “Quando tivermos uma vacina eficaz, será a hora de sair dessa situação de pandemia e voltar à vida normal”.

Feito com fermentação bacteriana, o MigVax diz que será possível fabricar milhões de doses da vacina de maneira rápida e econômica. Como a vacina não inclui o próprio vírus e apresenta menos chances de efeitos colaterais, os pesquisadores dizem que será seguro usá-la, inclusive, em pessoas com baixa imunidade.

“Após os testes clínicos, o MigVax avaliará os próximos passos com as autoridades reguladoras”, disse Shalit. “Bilhões de doses da vacina serão necessárias em todo o mundo para lidar adequadamente com a epidemia de coronavírus. Múltiplas fontes de vacinas e fabricação serão necessárias”.

Depois de ter anunciado planos de procurar parceiros para ajudar na conclusão e comercialização da vacina, a MigVax informou que conseguiu um investimento de US$ 12 milhões para acelerar seus esforços de desenvolvimento de vacinas, liderados por OurCrowd.

“Estamos honrados com a oportunidade de investir nesta empresa, que significa muito para muitas pessoas”, disse Jon Medved, CEO da OurCrowd. “A corrida pela vacina contra a COVID-19 é sobre salvar inúmeras vidas, e somos gratos por poder apoiar esse importante esforço”.