Plano de Netanyahu de anexar territórios na Cisjordânia enfrenta oposição de colonos

Depois de conquistar um novo mandato, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, abriu caminho para cumprir sua promessa de campanha mais polarizadora: anexar partes de territórios na Cisjordânia.

Um mês antes de pôr em prática a medida, prevista no Acordo do Século proposto pelos EUA, Netanyahu está enfrentando forte resistência de colonos que há anos reivindicam a anexação por Israel nas terras em que vivem.

O plano de Netanyahu, eles argumentam, abriria as portas para um Estado palestino ao encerrar qualquer expansão dos assentamentos israelenses em grande parte da Cisjordânia, matando o projeto religioso-sionista de alcançar o domínio sobre toda a terra bíblica dos judeus.

“É isso. Ou os assentamentos têm futuro, ou o Estado palestino tem. Não os dois”, disse Bezalel Smotrich, parlamentar que liderou o movimento pela anexação, em uma entrevista.

David Elhayani, líder do Conselho Yesha, disse que plano de paz dos EUA mostra Trump “não é amigo de Israel”. Em declarações ao Times of Israel, ele disse que os detalhes da proposta dos EUA provam que o presidente e seu genro Jared Kushner, autor do plano, não estão interessados nas preocupações de segurança de Israel e no fim do conflito com os palestinos.

A oposição inesperadamente feroz, juntamente com sinais mistos do governo dos Estados Unidos, está levantando questões sobre se Netanyahu cumprirá suas promessas de anexação, afinal.

À esquerda, os defensores de uma solução de dois Estados soam o alarme há meses, dizendo que a anexação unilateral por Israel, que seria condenada por muitos países, violaria seus compromissos com os palestinos em acordos de paz anteriores e destruiria qualquer esperança de um acerto que acabe com os conflitos.

Autoridades militares israelenses começaram a reconsiderar também a questão, alertando que a anexação poderia desencadear uma nova onda de violência na Cisjordânia e forçar o rei Abdullah II, da Jordânia, a adotar uma posição dura contra Israel, pondo em risco o tratado de paz das duas nações.

Mas é a oposição emergente entre os colonos que potencialmente representa o obstáculo mais perturbador.

Netanyahu prometeu a anexação em três campanhas eleitorais sucessivas no ano passado. Em janeiro, sua promessa ganhou o apoio do governo de Donald Trump, cujo plano de paz prevê que Israel anexe a seu território até 30% da Cisjordânia, incluindo o Vale do Jordão, bem como todos os assentamentos judaicos existentes.

Há pressão sobre Netanyahu para agir rapidamente. A eleição presidencial americana em novembro pode substituir Trump pelo ex-vice-presidente Joe Biden, que se manifestou contra a anexação unilateral.