Poeta judia americana Louise Gluck ganha o prêmio Nobel de Literatura

A poeta judia americana Louise Gluck foi a vencedora do prêmio Nobel de Literatura. O prêmio foi anunciado hoje em Estocolmo por Mats Malm, secretário permanente da Real Academia Sueca.

O prêmio foi escolhido em homenagem a uma escritora conhecida por temas da infância e da vida familiar, disse o júri da Academia Sueca.

Gluck, 77, foi homenageada “por sua voz poética incomparável, que, com beleza singular, torna universal a existência individual”, disse a Academia.

Gluck, professora de inglês na Universidade de Yale, “busca o universal e nisso se inspira em mitos e motivos clássicos, presentes na maioria de suas obras”, afirma ainda a Academia.

Gluck nasceu em em Nova York em 1943. Seus avós paternos eram judeus húngaros que emigraram para os Estados Unidos. Seu pai, Daniel Gluck, tinha uma empresa em sociedade com o cunhado e inventou a marca X-Acto de facas artesanais, ainda em produção.

Em uma entrevista de 2012 para a American Academy of Achievement, ela falou sobre escrever livros desde muito cedo com sua irmã e que, depois, eram impressos por seu pai para que elas pudessem ilustrá-los. “Minha avó, que não era uma mulher estudiosa, tinha uma pequena antologia – era fisicamente um objeto pequeno, pelo que me lembro – de ‘Poemas Amados’, ou algum tipo de título , abrangente desse tipo”, lembrou ela.

A Academia disse que sua coleção de 2006 “Avemo” é uma ‘coleção magistral’, “uma interpretação visionária do mito da descida de Perséfone ao Inferno no cativeiro de Hades, o deus da morte”.

Gluck publicou seus primeiros poemas em 1968 em uma coleção intitulada “Primogênito”. Ela publicou mais de uma dúzia de livros desde então e em 2003 foi laureada como poeta nos Estados Unidos.

Muitas de suas obras se inspiram em temas clássicos romanos e gregos, embora os críticos também tenham detectado traços de sua herança judaica em vários poemas.

“Em The Triumph of Achilles (1985), ela cria sua própria interpretação midráshica de uma história do Midrash Rabbah e compara a vida de seu avô imigrante com a de José no Egito”, de acordo com a Biblioteca Virtual Judaica.

A autora já havia ganho o Prêmio Pulitzer em 1993 por sua coleção “The Wild Iris” e o National Book Award em 2014.

Em 2016, o então presidente dos EUA, Barak Obama, concedeu-lhe a Medalha Nacional de Humanidades.

Normalmente, Gluck receberia o Nobel do rei Carl XVI Gustaf em uma cerimônia formal em Estocolmo em 10 de dezembro, aniversário da morte, em 1896 do cientista Alfred Nobel, que criou os prêmios em seu testamento.

Mas a cerimônia presencial foi cancelada este ano devido à pandemia do coronavírus e substituída por um evento televisivo mostrando os laureados recebendo seus prêmios em seus países de origem.

O prêmio inclui o valor de 10 milhões de coroas suecas (mais de US$ 1,1 milhão).

Na segunda-feira, o Comitê do Nobel concedeu o prêmio de Medicina ao judeu americano Harvey J. Alter, ao americano Charles M. Rice e ao cientista britânico Michael Houghton pela descoberta do vírus da hepatite C, que ataca o fígado.

O prêmio de Física, anunciado na terça-feira, foi para Roger Penrose, da Grã-Bretanha, Reinhard Genzel, da Alemanha – ambos de ascendência judaica – e Andrea Ghez dos Estados Unidos, por suas descobertas na compreensão dos mistérios dos buracos negros cósmicos.

Faltam ainda serem anunciados os prêmios de Economia e da Paz, o mais aguardado.