Por dois domingos consecutivos, encontros virtuais aproximam jovens das comunidades judaica e negra

Inciativa da Conib com a Educafro, que contou com apoio da Fisesp, os encontros realizados nos dois últimos domingos tinham como objetivo promover a aproximação entre estas duas comunidades, proporcionar maior entendimento das características e vicissitudes de cada uma delas, superação de preconceitos, entre outras questões.

Nestes encontros fizeram apresentações quatro palestrantes, sendo que dois deles da comunidade judaica – Daniel Douek (cientista social, e profissional do Instituto Brasil-Israel) e Michel Erlich (historiador e profissional do Museu Judaico de Curitiba) – e outros dois da comunidade negra – Adilson José Moreira (doutor em direito pela Universidade de Harvard e autor de livros) e Silvia Souza (advogada e militante da causa negra).

O fio condutor deste encontro foi o discurso de ódio. No primeiro encontro, foi feita uma apresentação conceitual sobre o tema do racismo estrutural, e do antissemitismo. Adilson e Daniel versaram sobre estas duas situações e buscaram convergência, pontos em comum, e também as diferenças. Falou-se ainda sobre o tema da ancestralidade e da identidade judaica, como elementos estruturantes na formação dos dois grupos étnicos. No final da atividade foram constituídos grupos aleatórios de jovens das duas comunidades com o objetivo de trocar experiências e discutir os conceitos apresentados.

Já no segundo encontro, a ênfase dos dois palestrantes foi dada na direção de promover e apresentar ações concretas que estão sendo feitas para cada uma das comunidades. Michel Erlich falou a respeito das diversas atividades que estão sendo desenvolvidas para a população que visita o Museu do Holocausto de Curitiba, bem como das exposições externas e itinerantes do Museu pelo Brasil. Silvia Souza contou sua experiência de integrar uma organização de Direitos Humanos e atuar em advocacy para a causa negra, além de ter compartilhado sua vivência como convidada pelo Parlamento Brasileiro para fazer parte de uma comissão que monitora os pleitos da comunidade negra.

Foram atividades de muito conteúdo, e com uma avaliação positiva por parte dos jovens participantes.

A intenção é dar seguimento a estas iniciativas e planejar ações mais concretas para o futuro. Historicamente as duas comunidades participaram de movimento políticos, como no caso da luta pelos direitos civis norte-americanos na década de 50/60, e aqui no Brasil, na luta contra grupos neonazistas que proliferaram na década de 1990.

Há também momentos de convivência harmoniosa na produção cultural, com exemplos significativos em algumas cidades, tanto no Brasil, como por exemplo o Rio de Janeiro nas décadas de 20/30 e outras no exterior, Nova York, Los Angeles, Londres, Cidade do Cabo e Johanesburgo.