Por que Israel avança na vacinação e nós nem começamos?

Duramente atingido pelo coronavírus, Israel aplicou a primeira das duas doses da vacina a mais de 10% de sua população. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está liderando o ataque à pandemia, reforçando sua própria imagem maltratada ao longo do tempo. A população árabe em Israel também é vacinada, em respeito à equidade e aos direitos humanos e sociais.

O marco ocorre num momento em que os Estados Unidos lutam para aplicar lentamente suas duas vacinas contra o coronavírus, com apenas 1% do país recebendo a primeira dose. Em Nova York, que já foi o epicentro da pandemia, apenas 32% das doses administradas acabaram nos braços dos residentes.

Israel estava a caminho de atingir 1 milhão de vacinações depois de administrar a vacina da Pfizer a mais 153 mil pessoas na quinta-feira, de acordo com o jornal “Jerusalem Post”. Isso significa que 10% da população de 9,3 milhões receberam a primeira dose.

“Em Israel, 153.430 pessoas foram vacinadas em 325 postos de vacinação em todo o país”, disse o ministro da Saúde, Yuli Edelstein. E esses postos são de natureza pública e privada. Portanto, priorizou-se o cidadão num país onde a medicina é predominantemente socializada.

De fato, para que isso possa acontecer, não são necessários grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Aliás, estamos bastante atrasados comparativamente aos demais países da OCDE. O que é necessário é uma boa estratégia de logística, fruto em grande parte do trabalho das Forças Armadas e da flexibilidade regulatória. Não acredito que um país como Israel abriria mão dos critérios de segurança para aprovação da utilização das diferentes vacinas.

O principal órgão regulador da administração farmacêutica em Israel é o Departamento de Registro do Ministério da Saúde de Israel (IMOH). A ação do departamento é baseada no Regulamento do Farmacêutico de 1986, que está sendo atualizado periodicamente.

De acordo com os regulamentos do Farmacêutico, todos os medicamentos devem ser registrados no Registro Nacional de Medicamentos após comprovadas sua eficácia, qualidade e segurança. O departamento de registro da IMOH é responsável pelo conteúdo do registro do medicamento e por sua atualização. Significa dizer que, também em Israel, cuja regulação é mais antiga do que a nossa, existem barreiras regulatórias.

E nós? Estamos discutindo qual é a melhor vacina e não viabilizando nenhuma delas. Apresentamos um plano muito pouco estruturado sem o envolvimento de atores da área privada, que querem colaborar e colocar mais recursos próprios sem onerar os cofres públicos.

Claudio Lottenberg é presidente do Conselho da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, do Instituto Coalizão Saúde e da Confederação Israelita do Brasil (Conib).