crédito Robinson Aronis, Studio Aronis

Porto Alegre ganha novo espaço cultural judaico

Idealizado pelo rabino Guershon Kwasniewski e desenvolvido por um grupo de associados e profissionais, o Memorial da Imigração Judaico-Alemã foi inaugurado em eventos realizados em 22 de novembro e em 3 de dezembro, na sede da SIBRA, no bairro Rio Branco, em Porto Alegre. O primeiro encontro reuniu autoridades como o embaixador da Alemanha no Brasil, Heiko Thoms, e os cônsules da Alemanha em Porto Alegre, Milan Simandl e Michael Serra, além de associados da entidade. O local deve estar disponível para visitas agendadas a partir de março de 2022. No total, foram cerca de oito anos de planejamento entre aprovação e execução até que o memorial ganhasse a forma atual. Em entrevista à CONIB, o rabino Kwasniewski conta como foi esse processo:

Como surgiu a ideia de construir um memorial da imigração judaico-alemã?

A ideia de construir o Memorial surgiu ao perceber que estamos apenas a 15 anos do centenário da SIBRA – 1936-2036 -, a segunda geração de fundadores está ficando maior e o resgate da memória era uma necessidade iminente.

Contar no século XXI a história de uma instituição fundada no século XX, requereu misturar tecnologia com os tradicionais objetos que são expostos num museu.

Para isso, durante o meu período sabático em New York, visitei muitos museus para tirar ideias para trazê-las para Porto Alegre.

Criamos uma equipe de trabalho com a Sra. Hedy Hofmann e o Presidente da SIBRA Daniel Weiss e definimos o projeto.

Como a Alemanha apoiou essa inciativa?

Era necessário um parceiro de peso para apoiar a iniciativa. Por sermos uma sinagoga fundada por judeus alemães, procuramos o Consulado da Alemanha em Porto Alegre, que desde o primeiro momento foi muito receptivo. O projeto foi enviado à Alemanha para ser avaliado pelo Ministério de Relações Exteriores, entre idas e voltas, diversos ajustes, levou oito anos, passou por três gestões de cônsules, visitas de embaixadores, até finalmente ser aprovado.

Recebemos um generoso apoio da Alemanha que permitiu à SIBRA contratar a equipe profissional.

Como funciona o memorial?

O coração do Memorial é um gigante monitor touch screen pelo qual o visitante pode viajar no tempo. Com o coordenador técnico, Simon Blum, criamos um programa de navegação, dividido em três partes: Ciclo da Vida – Nascimento, Bar/Bat Mitzvá, Casamento e Morte-, Festividades e Eventos e A minha vida na SIBRA. Nos primeiros dois os visitantes irão encontrar fotografias e documentos, no último, vídeos com depoimentos dos associados gravados em qualidade 4 K.

Todo o material que está organizado por décadas, está depositado numa nuvem e proximamente poderá ser acessado on-line.

O Memorial da Imigração Judaico-Alemã da SIBRA, é o maior empreendimento cultural judaico das últimas décadas no Rio Grande do Sul, tem como objetivo atrair e motivar as famílias da comunidade a recuperar a sua história. Por outro lado, o Memorial é um espaço cultural aberto para toda a sociedade, focado em promover visitas de alunos de escolas e universidades, pesquisadores e público geral. Estamos construindo uma parceria com o CIB – Colégio Israelita Brasileiro-, para que professores e alunos possam estudar a história de imigração de uma forma didática e lúdica.

Empresas e diversas famílias entenderam a importância do projeto e apoiaram a iniciativa, que está agora à procura de mais recursos para contratar uma equipe que fará a manutenção e a classificação do material que estamos recebendo.

Os próprios associados da SIBRA serão os guias, e há muita gente motivada em contar a sua própria história.

Outro objetivo do projeto é aproximar a quarta geração dos fundadores com a instituição que seus bisavós fundaram. No memorial o visitante poderá encontrar livros de oração, documentos, passaportes, bilhetes de navio, enfeites da Torá, objetos litúrgicos trazidos pelos imigrantes. Há também uma seção de livros para mostrar a produção intelectual dos associados da SIBRA, que narram histórias sobre a própria comunidade ou são autobiografias.

A iniciativa proporcionou um belo movimento que nos leva do passado ao futuro, resgatando a nossa origem e fortalecendo a nossa identidade.