Presidente da Conib fala em sessão solene na Assembleia do RN em homenagem às vítimas da Inquisição

Convidado pela Câmara Municipal de Natal para participar de ato em homenagem às vítimas da Inquisição, o presidente da Conib, Fernando Lottenberg, falou no auditório da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, lembrando “os séculos de intolerância e violência contra os que foram inquiridos, processados, condenados e executados” e destacando a importância da preservação da memória “para construirmos um futuro melhor”. Lottenberg falou em sessão solene conjunta da Câmara Municipal de Natal e da Assembleia Legislativa do RN para lembrar as vítimas da Inquisição, cujos imigrantes tiveram grande influência na formação cultural do Nordeste. O ato contou com organização e engajamento do CIRN, Sinagoga Braz Palatnick, e WIZO e com a presença de autoridades políticas e religiosas de Natal. Entre os presentes, estavam os vereadores Ana Paula Araújo e Franklin Capistrano, do deputado estadual Ubaldo Fernandes, o ex-procurador geral do Estado, Manuel Onofre, o representante da OAB/RN, o ex-presidente do CIRN, Samuel Gabbay e o atual presidente da instituição, advogado Flávio Hebron. O evento contou com a presença de 120 pessoas e teve a apresentação do Coral Estrela D’Alva, sob regência do maestro Rui Castro e do Harpista Ary Noronha.

“Lembrar da inquisição, não é apenas lembrar da formação cultural brasileira, mas sim reafirmar valores de tolerância, respeito, educação a mulher e liberdade religiosa. É a reafirmação de valores humanitários”, destacou o presidente do CIRN, Flávio Hebron.

Lottenberg lembrou que “a inquisição nasceu como um mecanismo gerador de intolerância, de práticas que negam o direito de expressão da liberdade religiosa, hoje considerado um valor fundamental nas democracias modernas, como, por exemplo, a nossa no Brasil”.

“Esta é uma tradição que nos acompanha desde os tempos em que nos constituímos como um povo, há mais de 3300 anos”. “Nossos estudiosos, sábios, sempre se ocuparam de contar histórias e escrever livros para que as novas gerações pudessem se conectar com o passado e darem sentido ao presente”. “Memória é a constituição de um legado, um atributo da esfera do coletivo, implica a elaboração de uma narrativa, ancora no passado, mas nos traz significados do presente, e olha para o futuro, com o objetivo de construí-lo melhor”.

“Olhar e examinar esta história de dores e injustiças deveria nos servir para aprendermos as lições fundamentais e não repetirmos os mesmos equívocos do passado”.

Leia a íntegra do discurso de Lottenberg.