Principal candidato à liderança trabalhista do Reino Unido promete lutar contra o antissemitismo; deputados judeus dizem que é necessário mais do que simples promessas

O líder da corrida para substituir Jeremy Corbyn na liderança do Partido Trabalhista britânico prometeu lutar contra o antissemitismo dentro do partido.

Falando na Rádio BBC, Keir Starmer disse: “Deveríamos ter feito mais contra o antissemitismo. Aliás, quem é antissemita, não deveria estar no Partido Trabalhista”.

Starmer disse que em discussões internas ele havia defendido a expulsão automática dos envolvidos em casos de antissemitismo.
“Parece razoável que se alguém é expulso do Partido Trabalhista por apoiar outro partido político, também deveriam ser expulsos os antissemitas”, disse ele, prometendo assumir “responsabilidade pessoal” pelo tema.

Outra candidata, Rebecca Long-Bailey, em entrevista ao Sky News no domingo, culpou Jeremy Corbyn por não enfrentar o problema e levar o partido à derrota nas últimas eleições. “Acho que qualquer líder trabalhista deve se desculpar publicamente pelo que aconteceu, porque isso foi inaceitável”, disse ela.

Durante a entrevista, Long-Bailey disse que o partido precisa “trabalhar muito e com muita firmeza para reparar nosso relacionamento com a comunidade judaica”.

“Fiquei absolutamente arrasada, assim como muitos de nossos membros, por bater nas portas de membros da comunidade judaica que disseram que não confiavam mais no Partido Trabalhista e precisamos trabalhar duro para reconstruir essa confiança, mas isso exige ação”, disse ela, expressando críticas de como os trabalhistas lidaram internamente com as denúncias de antissemitismo.

Os judeus britânicos abandonaram o partido em massa após uma série de denúncias de antissemitismo desde que Corbyn foi eleito para a liderança do partido, em 2015.

Corbyn foi acusado de omissão em centenas de casos de antissemitismo dentro do partido, bem como de ter se recusado a adotar a definição de antissemitismo da Aliança Internacional de Memória do Holocausto.

Seus laços com membros dos grupos terroristas do Hamas e Hezbollah e fotos dele colocando uma coroa de flores no túmulo de um terrorista palestino também despertaram preocupações entre judeus do Reino Unido, que temiam que o Estado judeu pudesse perder sua estreita aliança com o Reino Unido se Corbyn fosse eleito.

O Board of Deputies of British Jews divulgou uma lista de dez medidas que o Partido Trabalhista deve adotar para “curar seu relacionamento com a comunidade judaica”.

“Amanhã à tarde, as nomeações de parlamentares e eurodeputados para as eleições de liderança e vice-liderança do Trabalhismo serão encerradas, dando ao público a oportunidade de conhecer “os candidatos a esses cargos”, disse a presidente do Board of Deputies of British Jews, Marie van der Zyl. “Sejamos francos: a relação entre os trabalhistas e a comunidade judaica, antes sólida como rocha, foi praticamente destruída. A reconstrução exigirá mais do que declarações leves de arrependimento”. “Será necessário um firme compromisso público de ação específica”. “Nossas Dez Medidas identificam os principais pontos que acreditamos que o Partido Trabalhista precisa adotar para começar a curar seu relacionamento com a nossa comunidade”.

“Todos esses pontos, de uma forma ou de outra, foram apresentados anteriormente a Jeremy Corbyn e sua equipe de liderança. Lamentavelmente, a ação sobre qualquer uma dessas questões foi limitada na melhor das hipóteses, para não dizer inexistente”.”Embora existam muitas questões importantes para a comunidade judaica britânica, incluindo liberdade e segurança para a prática religiosa, além de questões gerais como saúde e educação, sem uma ação séria contra o antissemitismo, é difícil confiar no Partido Trabalhista em qualquer outra questão”.

“Esperamos que aqueles que pretendem avançar com o partido endossem aberta e inequivocamente essas Dez Medidas na íntegra, deixando claro que, se eleitos como líderes ou vice-líderes, se comprometerão a garantir a adoção de todos esses pontos”, concluiu.