Promotor anuncia investigação sobre irregularidades em empresa que pertenceu a Gantz

O promotor estadual em exercício Dan Eldad determinou ontem uma investigação criminal sobre irregularidades nas atividades de uma startup de alta tecnologia que pertenceu ao líder do partido Azul e Branco, Benny Gantz, antes de ele ingressar na política.

Gantz atuou como presidente do conselho da “Quinta Dimensão”, que faliu antes de ele entrar na política. Não há acusações contra Gantz e ele nega irregularidades na empresa.

Os promotores estaduais confirmaram em novembro de 2019 que haviam solicitado documentos ao escritório dos controladores estaduais para abrir inquérito sobre as atividades da empresa, após um pedido da organização de direita Lavi.

Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira à noite, o Ministério da Justiça disse que a polícia conduzirá a investigação.
O Azul e Branco de Gantz está em uma disputa acirrada com o partido Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que responde por acusações de fraude, suborno e quebra de confiança após uma série de investigações de corrupção.

A eleição de 2 de março acontece apenas duas semanas antes do início do julgamento de Netanyahu.

Gantz concentrou sua campanha nas acusações que Netanyahu responde na justiça e se apresentou como uma alternativa honesta e livre de escândalos.

Netanyahu elogiou a decisão de investigar a empresa que pertenceu a Gantz.

“O público deve saber a verdade – aqui e agora – e antes das eleições (de 2 de março)”, disse Netanyahu.

Ontem, Gantz negou irregularidades após revelados detalhes das investigações sobre as transações financeiras de sua empresa. “Parece pressão política para colocar isso na agenda do público”, disse Gantz à Rádio do Exército.

“Estou totalmente à vontade. Isso já foi verificado no passado e nenhuma irregularidade foi encontrada”, destacou.

Os israelenses vão às urnas em 2 de março, na terceira votação em menos de um ano, após duas eleições em 2019 terminarem sem um acordo entre Netanyahu e Gantz capaz de formar um governo de coalizão.

Pesquisas pré-eleitorais preveem resultados semelhantes na votação do próximo mês, estendendo o impasse.

Os meses que antecederam a campanha foram marcados por outras questões que agitaram a cena política, como o anúncio do plano de paz do presidente Donald Trump para o conflito israelo-palestino e a definição de uma data para o início do julgamento de Netanyahu, que não chegou a alterar o resultado das pesquisas de opinião.

Depois de se aposentar do exército, Gantz dirigiu a empresa de cibersegurança que mantinha acordos com a polícia israelense.

Segundo o controlador estadual, a polícia pode ter violado as leis de concorrência ao renunciar a uma licitação em suas relações com a empresa.

O Ministério da Justiça não confirmou os relatos da mídia, dizendo apenas que os documentos do controlador estadual estavam sendo analisados.