Quase 80% dos sauditas são a favor da normalização com Israel, revela pesquisa

Quase 80% dos sauditas são a favor da normalização dos laços com Israel dentro dos próximos cinco anos, com 71% acreditando que é provável que outros estados árabes normalizem as relações com o Estado judeu mesmo sem um acordo de paz com os palestinos, segundo revela nova pesquisa dos Serviços de Pesquisa Zogby.

O estudo pesquisou as opiniões de israelenses e árabes de cinco países diferentes (Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Palestina e Jordânia) no período de 24 de junho a 5 de julho – isso foi mais de um mês antes dos acordos de paz entre Israel, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, quando o Estado judeu planejava a anexação de 30% da Cisjordânia, em linha com o plano de paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O que é notável, entretanto, é que a pesquisa ainda mostrava que muitos árabes eram a favor da normalização dos laços com Israel na época, desde que fossem tomadas medidas para alcançar a paz com os palestinos.

Pôr fim ao conflito israelo-palestino mostrou-se importante para a grande maioria dos entrevistados árabes e israelenses (80%), embora as opiniões estivessem divididas sobre a probabilidade de uma resolução ser alcançada nos próximos cinco anos. Como tal, não surpreende ver que a maioria dos entrevistados árabes tenha se mostrado favorável à normalização dos laços com Israel, sem que haja a paz com os palestinos, com exceção dos Emirados Árabes Unidos, onde 56% disseram que um acordo nesse sentido ainda era desejável.

E apesar da importância dada à resolução do conflito, a maioria dos entrevistados árabes acredita que alguns estados árabes provavelmente estabeleceriam laços com Israel sem uma solução do conflito.

No geral, os entrevistados árabes estavam mais otimistas sobre a rapidez com que o conflito poderia ser resolvido, com as menores porcentagens sendo 53% da Jordânia e 57% da “Palestina” e a maior sendo dos Emirados Árabes Unidos com 76%. Entre os israelenses, apenas 15% manifestaram a mesma opinião.

Com exceção dos palestinos entrevistados, 40% de outros países árabes disseram que os árabes deveriam trabalhar para convencer Israel dos benefícios de resolver o conflito e estabelecer laços normalizados com outros países da região. No entanto, 70% de todos os entrevistados árabes insistiram que, apesar dos muitos benefícios de normalizar as relações com o Estado judeu, a anexação significaria o fim de seu apoio.

Esses dados foram refletidos em um artigo do embaixador dos Emirados nos EUA publicado no jornal israelense Yediot Aharonot, em que ele alertou sobre os danos da anexação aos laços árabes-israelenses enquanto também discutia alguns dos benefícios que poderiam advir de relações mais amenas. A pesquisa mostrou que mais árabes do que israelenses estavam de acordo com o artigo (55% em comparação com 38%). Além disso, enquanto a maioria dos entrevistados de países árabes se mostrou favorável ao artigo, a maioria dos palestinos se opôs, estando os israelenses divididos.

Mas o que surpreendeu é como o artigo mudou a opinião entre alguns entrevistados israelenses, com 15% não mais apoiando a anexação depois de ler o artigo. No entanto, a lacuna entre os israelenses seculares e religiosos sobre o assunto se manteve.

Em relação aos incentivos para normalizar os laços com Israel, os árabes estavam divididos sobre quais benefícios eram os mais desejáveis. A primeira escolha para os emiratis (55%), sauditas (40%) e jordanianos (36%) é “promover interesses comuns em torno das mudanças climáticas, água e segurança alimentar, tecnologia e ciência avançada”. A principal escolha para o Egito (37%) é “o incentivo ao comércio bilateral e investimento em saúde e educação”.

O tema Irã também foi um fator observado, com “trabalhar juntos para enfrentar os desafios regionais do extremismo ao Irã” sendo desejável para entre 21% e 36% dos entrevistados árabes. Um em cada cinco pesquisados afirmou que o aumento do turismo valeria a pena ser explorado se os países árabes prosseguissem com a normalização. Também notável foi a resposta palestina, com a pesquisa mostrando o mesmo apoio (34%) para os interesses compartilhados de clima, água, alimentos e tecnologia.

Os resultados da pesquisa contrastam com outra avaliação recente publicada pelo Mitvim – Instituto Israelense de Políticas Externas Regionais. De acordo com esse estudo, as áreas de turismo, comércio e tecnologia foram os benefícios mais importantes observados na promoção dos laços com os Emirados Árabes Unidos, de acordo com 44% dos entrevistados. Isso foi seguido por segurança em 24%, política em 16% e civil em 5%.

A maioria dos israelenses (67%) também se mostrou favorável a acordos semelhantes com outras nações árabes, principalmente com a Arábia Saudita. No entanto, entre os entrevistados árabes, quase metade (48%) disse que os israelenses deveriam se concentrar na resolução do conflito com os palestinos, enquanto apenas 29% se mostraram favoráveis a novos laços com os estados árabes.

O ministro das Relações exteriores da Arábia Saudita pediu nesta quinta-feira (15) negociações de paz diretas entre Israel e os palestinos, enquanto mais uma vez insinuava que o reino não normalizará os laços com o Estado judeu até que o conflito de décadas seja resolvido. Em entrevista a um think tank com sede nos EUA, o príncipe Faisal bin Farhan Al Saud, destacou o apoio do reino à Iniciativa de Paz Árabe, que requer a criação de um Estado palestino como pré-requisito para a reaproximação entre Israel e o mundo árabe.

“Saudamos os esforços recentes para reunir as partes em um plano de paz abrangente, porque um passo importante para um Oriente Médio seguro continua sendo um acordo de paz entre Israel e os palestinos. Todas as outras coisas seguirão disso”, disse o ministro das Relações Exteriores saudita ao Washington Institute for Near East Policy.