Quatro semanas após a posse, Biden liga para Netanyahu e promete aliança mais forte entre EUA e Israel

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu falou ao telefone com o presidente dos EUA, Joe Biden, nesta terça-feira, pela primeira vez desde que o presidente assumiu o cargo há quatro semanas.

Netanyahu foi o primeiro líder do Oriente Médio a receber um telefonema de Biden, mas o 12º líder mundial a ser contatado pelo novo presidente dos EUA. As longas semanas de espera desde que Biden assumiu o cargo levaram muitos a se perguntar se a Casa Branca estava esnobando seu aliado de longa data, dada a relação gelada de Netanyahu com o ex-presidente democrata Barack Obama e seus laços calorosos com Donald Trump.

A conversa foi “muito amigável e calorosa e durou cerca de uma hora”, disse o gabinete do primeiro-ministro.

A Casa Branca não comentou de imediato a conversa. Questionado sobre o telefonema por repórteres no Salão Oval, Biden disse que foi uma “boa conversa”, sem dar mais detalhes.

Comentário posterior da Casa Branca disse que Biden “afirmou sua história pessoal de compromisso inabalável com a segurança de Israel e transmitiu sua intenção de fortalecer todos os aspectos da parceria EUA-Israel, incluindo nossa forte cooperação de defesa”.

Os dois líderes discutiram o fortalecimento dos laços EUA-Israel e os acordos de normalização que foram intermediados pelo governo Trump entre Israel e seus vizinhos árabes, disse o escritório do primeiro-ministro. Eles também falaram sobre “a ameaça iraniana e os desafios na região, concordando em continuar as negociações entre eles”.

Também durante o telefonema, Netanyahu e Biden falaram sobre a pandemia de coronavírus e o presidente americano elogiou o primeiro-ministro israelense por Israel ser líder mundial de vacinação.

A leitura da Casa Branca não fez menção à pandemia, mas afirmou que Biden “ressaltou a importância de trabalhar para promover a paz em toda a região”, inclusive entre israelenses e palestinos. A leitura do escritório de Netanyahu não fez menção aos palestinos.

Biden disse que pretende entrar novamente no Plano de Ação Global Conjunto (JCPOA) de 2015 com o Irã, colocando ele e Netanyahu em potencial rota de colisão. Netanyahu se opôs fortemente ao acordo quando ele foi feito e saudou a decisão de Trump de retirar os EUA do pacto em 2018.

O presidente dos Estados Unidos disse na semana passada que seu governo não concordaria em suspender as sanções ao Irã antes de o país suspender o aumento do enriquecimento de urânio, dizendo que a República Islâmica terá que primeiro retomar o cumprimento total do acordo nuclear. O Irã exigiu que Washington dê o primeiro passo e remova as sanções.

Biden também disse que quer abordar o programa de mísseis balísticos do Irã e a hegemonia regional, mas que a prioridade é fazer o Irã cumprir o JCPOA. O Irã rejeita tais negociações. Israel sustenta que essas questões não podem esperar e que os Estados Unidos perderão sua influência com o Irã se voltarem ao acordo nuclear sem exigir nada em troca.

Foto: Escritório de Benjamin Netanyahu