Rabinos enviam mensagens de força, fé e reflexões neste momento de epidemia

Manter o pensamento positivo, aproveitar o tempo em casa para estar com a família, refletir e rezar são alguns temas presentes nas mensagens que os rabinos têm enviado para a comunidade. A Conib vem divulgando algumas delas.

A importância de buscar subsídios no judaísmo, uma tradição de resiliência no enfrentamento das dificuldades é destacada pelo rabino Nilton Bonder da Congregação Judaica do Brasil-CJB, do Rio. “A tradição nos ajudou a lavar as mãos em tempos de pestes medievais, uma tradição que nos deu uma espiritualidade capaz de enfrentar com resiliência todo aquele período nefasto do nazismo. Lições que aprendemos sobre o quanto a tradição, a fé, a solidariedade são fundamentais”. Bonder fala também sobre não deixarmos de perceber as coisas positivas que existem em momentos disruptivos como este que vivemos. O rabino cita a parashá em que estamos, na qual Moises reúne o povo e fala sobre o shabat para assinalar que todas as pessoas tem agora a oportunidade de conhecer aspectos do shabat, já que estamos com nossas famílias e temos um tempo diferenciado. Para ele, este é um momento de aprendizado: “A gente não pode sair desse período de perdas econômicas, de oportunidades, de tantas coisas, a gente não pode sair só com o ônus. A gente tem que sair com o bônus. E o bônus é um aprendizado melhor sobre a vida, sobre a vulnerabilidade da vida, do que vale mesmo na vida, quais são os ativos que são carinho, amigos, família, construções que a gente faz exatamente no shabat”, frisa. Ele deseja a todos força, e espírito positivo e não de medo.”Somos herdeiros de um legado tão incrível, de continuidade, de nos lugares mais escuros imaginar o sol, imaginar a possibilidade de que a vida retome seu curso e que Hashem está olhando pela gente de alguma forma”.

Para o rabino Yossi Alpern, do Chabad Central, mesmo nos momentos mais difíceis podemos extrair lições de vida. Muitos de nós, diz ele, não conseguimos visitar parentes e familiares mais idosos na situação atual. “Quem sabe, se D’us quiser em breve que tudo isso passar vamos dedicar mais tempo para estar mais próximos dessas pessoas que nos são tão queridas”. Outra lição importante, lembra o rabino, sãos os nossos filhos, que podem estar carregando e transmitindo o vírus, apesar de não apresentarem sintomas. “Os filhos, as crianças, observam tudo. Vamos dar a eles uma educação, conteúdo e valores que são eternos. Aproveitemos essas semanas, esses dias, que estamos mais próximos de nossos filhos, para transmitir aquela educação que vai permanecer com eles para a vida”. Neste shabat, diz o rabino, terminamos o livro de Shmot e diríamos na sinagoga Chazak, chazak, v’nitchazeik. Ainda que não se vá hoje à sinagoga, o rabino pede que digamos a frase em casa. ”Sejamos fortes, fortes e firmes e vamos fortalecer uns aos outros. E com certeza Hashem vai providenciar dias melhores e situações mais animadas e vamos superar tudo isso e vencer esta batalha com alegria e com felicidade”.

Para o rabino Yossi Schildkraut, do Beit Chabad do Itam (Shil) ressalta o momento especial que vivemos, em que o mundo inteiro enfrenta o mesmo problema e em que todos olham para o lado humano. “Todo mundo viu que a parte material pode estar aqui ou não. Todo mundo está olhando para a família, para a vida. D’us está nos mostrando que temos que ter fé. Fé em D’us. Ele é quem manda. Essa é a lição que podemos ver neste momento tão elevado e especial”. Com otimismo, o rabino diz que vamos contornar, que com as bençãos de D’us teremos saúde e iremos celebrar juntos a vinda do messias. O rabino enviou ainda um vídeo em que fala para todos celebrarem o shabat em casa. Ele frisa que esta mensagem também é importante.

O rabino Adrian Gottfried, da Comunidade Shalom, cita um seriado norte americano chamado “The Last Ship” (O último navio) para abordar o momento que enfrentamos. A trama se passa logo após uma pandemia global que mata mais de 80% da população do mundo e, a tripulação (composta de 218 homens e mulheres) do navio (fictício) USS Nathan James (DDG-151) da marinha americana que não foram afetados pelo vírus, tentam encontrar uma cura para o vírus e salvar a humanidade. “Hoje estamos todos no seriado e no mundo inteiro nos sentimos parte de uma nova temporada, sem saber quando ela vai acabar”, diz ele. Ele diz que na altura da Torah em que estamos, e que termina nesta semana, mostra o povo no deserto O rabino lembra que o povo ficou no deserto por quarenta anos e ninguém sabia quanto tempo aquilo ia durar. “No deserto as pessoas ficavam isoladas, em quarentena. Algumas pessoas reagiam reclamando, dizendo que era melhor voltar ao Egito. Outras mudaram de atitude decidiram construir juntas, com suas mãos e suas posses, um santuário para poder criar um espaço que D’us possa participar. Temos essa alternativa nesses dias de quarentena em que ficamos mais em casa e menos expostos”. Ele fala do simbolismo da quarentena (40 dias) no judaísmo e continua: “Neste período de quarentena que estamos obrigados a passar, também vamos fazer nossas escolhas. Vamos construir santuários ou vamos reclamar? Vamos construir um bezerro de ouro ou vamos tentar ir para a frente?”. Gottfried ressalta que o momento é de reflexão, de introspecção, que o momento de estar em casa nos ajude a ter mais compaixão, mais resiliência e um pouco mais de criatividade. Nós temos a possibilidade de fazer a nossa escolha. Nos elevarmos espiritualmente, receber a Torah por um mundo mais justo ou criar os nossos próprios bezerros de ouro”.

Veja abaixo as mensagens de cada rabino: