Rabinos enviam mensagens para a comunidade em tempos de isolamento

Os rabinos Gershon Kwasniewski, da Sibra, Leonardo Alanati, da Congregação Israelita do Estado de Minas Gerais e Sergio Margulies da Associação Religiosa Israelita – ARI, do Rio de Janeiro falam de reclusão, de avaliar este tempo e de aproveitá-lo também. Rabinos de diversas congregações tem enviado mensagens à comunidade, por conta da epidemia que enfrentamos. A Conib vem divulgando algumas delas.

O livro bíblico de Eclesiastes, diz o rabino Margulies da Associação Religiosa Israelita – ARI, do Rio de Janeiro, ensina que há um tempo pra rir para chorar, para plantar e para colher. Para cada tempo, há um propósito debaixo do céu. “Estamos vivendo um tempo sem precedentes. Qual o propósito desse tempo? Não sabemos. Pois esse tempo suspende os tempos. “, ressalta Margulies. Ele diz que este é um tempo forçosamente de distanciamento social, mas que por escolha deve ser também um tempo de proximidade espiritual. “Assim, quando tudo passar, pois há de passar, apreciaremos nossa capacidade de superação e perceberemos quanto importante é estar próximo um do outro.

“Na sinagoga da Sibra, de Porto Alegre, o rabino Gershon Kwasniewski lembra em sua mensagem a máxima “Gam zeh ya’avor”, que significa “Isto também passará. Ele conta uma história chassídica sobre um rabino que perguntou aos seus alunos se sabiam onde está Deus. O mestre disse que daria uma moeda àquele que acertasse. O menorzinho dos estudantes então respondeu: eu lhe darei duas moedas rabino, se o senhor me disser onde não está Deus. Kwasniewski narra o caso para falar da dificuldade para muitos de não vir à sinagoga rezar. “Seguindo este princípio chassídico, transformamos nossos lares em templos, transformamos o local onde habitamos em um local sagrado, o importante é poder preservar nossos costumes, nossas tradições. Lembrem que o judaísmo não entrou em quarentena.”, frisou, afirmando que podemos continuar a estudar e realizar os afazeres possíveis dentro das limitações impostas por este tempo.

O rabino Leonardo Alanati, da Congregação Israelita do Estado de Minas Gerais, ressalta que a história judaica está repleta de exemplos de grandes líderes, que em tempos de perigo tiveram de se refugiar em cavernas. O rabino destaca o de Shimon Bar Iochai que no século II, durante uma perseguição romana, ele e seu filho ficaram confinados em uma caverna por 12 anos, tendo apenas para a sobrevivência uma fonte de água e uma árvore frutífera. Mas esta situação não os impediu de se aprofundar debates e se elevar espiritualmente. Na tradição judaica, diz o rabino, Shimon Bar Iochai se tornou um dos grandes mestres do misticismo. “Passamos agora por um momento de recolhimento em nossos lares que tem muito mais recursos do que aquelas cavernas. Que possamos aproveitar este momento de recolhimento para elevar nossos pensamentos, nossos estudos para que possamos atingir novos insights e iluminação”.

 

Rabino Gershon Kwasniewski

 

Rabino Leonardo Alanati