Rabinos enviam mensagens sobre o novo Coronavírus

Frente à epidemia do Covid-19, que o Brasil já enfrenta, rabinos têm enviado mensagens para, segundo preceitos judaicos, confortar, orientar e alertar a comunidade. A Conib passa a divulgar, a partir de hoje, algumas destas mensagens.

O rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista (CIP) e representante da Conib para o diálogo inter-religioso, ressalta que é proibido acreditar que este não seja um desafio real e importante. Ele cita o princípio de Pikuach Nefesh que, na lei judaica, determina que a preservação da vida humana se sobrepõe a qualquer outra regra. “O princípio de Pikuach Nefesh nos ensina que a vida humana está acima de qualquer regra da Torá. Isso, por si só, já e suficiente para que encaremos com muita seriedade o momento em que vivemos”, disse.

Schlesinger fala também que devemos cuidar do princípio da razoabilidade: “Não devemos caminhar nem perto do fogo, nem perto do gelo, mas no meio do caminho. Não devemos nos perder com a histeria, mas também não podemos ficar próximos da apatia”. Ao final de sua mensagem, o rabino menciona ainda o princípio de Harevim Zeh LaZeh: “Somos responsáveis uns pelos outros”.

O rabino Shabsi Alpern do Beit Chabad Central, comenta a parashá Ki Tissá, que fala sobre o momento em que o povo, enganado, acredita que Moisés tinha morrido, entra em pânico e cria um bezerro de ouro, como intermediário entre o povo e Deus, em uma ação com final terrivelmente triste. “O mundo está em pânico, vamos tomar todos os cuidados necessários nesta situação atual de saúde, mas vamos manter a calma, vamos dentro da situação ter a paz necessária e a tranquilidade de seguir com as instruções das autoridades” diz o rabino, no vídeo em que fala que o momento também é de falar com o Criador. O rabino Alpern escreveu um texto para este momento:

“Sugestões Espirituais Para a Situação Que Enfrentamos”.

Sempre que precisamos de uma orientação na vida, devemos olhar na Torá e procurar uma situação semelhante para aprender como agir. Mais ainda, quando algo grave ocorre, devemos entender que é uma chamada Divina.

Na época de Moshe, fomos atingidos por uma epidemia e Aharon a parou com incenso (ketoret). Infelizmente, muitas pessoas deixam de falar Korbanot/Ketoret antes das preces de Shacharit e de Minchá. Que voltemos a falar esses trechos.

Na época do Rei David, fomos atingidos por uma epidemia e David instituiu que fossem pronunciadas cem bênçãos por dia e a epidemia cessou.

Vamos lembrar de pronunciar uma bênção antes e depois de comer/beber algo, o que muitos esquecem de fazer. Também no momento em que pronunciamos “Asher Yatsar”, uma bênção especial pelo funcionamento perfeito do nosso corpo, devemos pensar o quanto somos gratos.

Com certeza D’us ouvirá nossas preces e Sua resposta será com bênçãos de saúde e paz para nossa comunidade e para o mundo todo.

Que possamos permanecer unidos, desejando a todos um Pessach muito saudável e feliz.

O rabino Uri Lam, da Congregação Beth-El, conta uma história, citando o rabino Nachman, de Bretz, para falar dos momentos atuais. Ele narra que um discípulo, que vivia andando apressado pela rua, foi indagado pelo rabino o que ele via quando saía à rua. Se ele tinha visto o céu, se reparava no tempo. Ao que o discípulo respondeu que só conseguia olhar para a rua, onde via as pessoas na correria diária do ir e vir. O rabi então diz a ele que, quando os anos passarem, e eles não estiverem mais ali, ainda haverá pessoas indo e vindo, com seus afazeres naquela rua. O rabino sugere então que talvez estivesse na hora de desacelerar e olhar o céu, porque aquele céu ele nunca mais iria ver. “Estamos vivendo uma época mais ou menos assim. É como se alguém tivesse dito para nós: está na hora de olhar menos para a rua, menos para os negócios, menos para a correria do dia a dia e pararmos para olhar mais o céu, ou pararmos para olhar um pouquinho mais para dentro da gente, pararmos para estarmos mais com nossas famílias. Que possamos encarar esta situação toda juntos e bem”, finalizou Lam.