Retórica sobre ‘conspiração antissemita’ começa a circular na internet após a morte de Suleimani, denuncia ADL

A ADL – Liga Anti-Difamação – denunciou que logo após a notícia da morte do general iraniano Qassim Soleimani, por um ataque americano com drones, as teorias de conspiração antissemita e antissionista começaram a circular na internet e em declarações públicas na região. Isso incluiu versões de que judeus e ou sionistas controlam o presidente Donald Trump e o governo dos EUA e estão manipulando os Estados Unidos para travar guerras em nome de Israel. Esse é o comportamento e a retórica típicos dos antissemitas, que vêem nos acontecimentos mundiais uma justificativa para amparar suas visões preconceituosas.

As críticas a Israel, ou às versões de que o governo Trump agiu em defesa de interesses de um aliado próximo ao formular sua estratégia contra o Irã, não são inerentemente antissemitas. No entanto, a constante retórica anti-Israel dos islamistas, ativistas antissionistas e ideólogos pode contribuir para um ambiente em que crenças mais abertamente antissemitas se enraízem.

Expressões de antissemitismo após o assassinato de Suleimani foram mais notadas entre os supremacistas brancos e outros antissemitas conhecidos. Essas manifestações também foram transmitidas na mídia iraniana Press TV e repetidas em declarações públicas de autoridades dentro do Irã e por organizações terroristas islâmicas apoiadas pelo Irã. A esquerda antissionista também endossou o coro.

Hunter Wallace afirmou que o assassinato do general Suleimani marcou o início da “Guerra Mundial Judaica”. Em outro post do blog, Wallace alertou seus leitores que “se você apoia e pretende votar em Donald Trump em 2020, saiba que estará votando em uma guerra judaica com o Irã” e em nome de “Sheldon Adelson e outros doadores judeus que financiam o Partido Republicano”.

O ideólogo antissemita e supremacista branco Kevin MacDonald tuitou que a política do presidente Trump no Irã é guiada por aqueles que desejam “um EUA não-branco, enquanto mais uma vez Israel está levando o pais a lutar uma guerra que é sua”.

David Duke responsabilizou os “traidores dos EUA” pelo assassinato e elogiou Suleimani, tuitando: “O general Suleimani, juntamente com a Rússia cristã e o corajoso povo sírio, com 3,5 milhões de cristãos na Síria, foram massacrados pelo ISIS e pela Al Qaeda!” E acrescentou: “O verdadeiro mal são os defensores sionistas que estão levando Trump e a América ao inferno!”.

Brandon Martinez escreveu em um site popular de supremacia branca que “Trump era estúpido demais para lançar este ataque e estava seguindo as ordens de judeus paranoicos” e que “uma camarilha de judeus em Israel” quer que os EUA “façam guerra com todos (os vizinhos do Estado judeu)”. “A raça judaica sempre manipulou e recrutou outras pessoas para lutar contra seus inimigos. Eles fizeram isso na Segunda Guerra Mundial, no Iraque, em 2003, e vêm fazendo lobby desde então para conseguir outro banho de sangue no Irã”.
Jonas E. Alexis escreveu no site antissemita Veterans Today que, embora o presidente Trump saiba que uma guerra com o Irã custará muito caro aos EUA, ele é obrigado a “obedecer às forças satânicas em Israel” que querem uma guerra contra o Irã. Ele alertou que “o sionismo internacional ainda está sugando o sangue de praticamente todas as nações da terra”. “O regime israelense e seus fantoches nos Estados Unidos representam o satanismo”. Alexis também afirmou que a influência judaica levou os EUA a se tornar “a personificação do mal, porque os políticos adotaram um princípio essencialmente talmúdico, que basicamente diz que guerras perpétuas e limpeza étnica no Oriente Médio e em outros lugares são boas. para a América, apesar das evidências em contrário”.

Escrevendo no Veterans Today, o negador do Holocausto e teórico da conspiração antissemita, Ian Greenhalgh, fez comparações entre os assassinatos de Suleimani e do arquiduque austríaco Franz Ferdinand (cuja morte em 1914 é considerada como tendo precipitado a Primeira Guerra Mundial). Greenhalgh culpa os judeus por ambos os assassinatos: “Antes da Primeira Guerra Mundial, os financistas judeus empregavam criminosos judeus para assassinar (Franz Ferdinand), a fim de se vingar e desencadear uma guerra que os beneficiaria, enquanto, ao mesmo tempo, devastava grande parte do mundo matando dezenas de milhões de goyim problemáticos”. “Você consegue ver as semelhanças gritantes com o assassinato do general Suleimani?”

O ideólogo antissemita E. Michael Jones disse à Press TV que o presidente Trump ordenou a morte de Suleimani “para provocar uma resposta iraniana, porque querem que a América entre em guerra com o Irã”. Ele acrescentou que a prova disso foi a saída dos EUA do acordo nuclear com o Irã, numa decisão que teria sido tomada pelo presidente americano em 2018 diante de pressões de três judeus americanos ricos – Sheldon Adelson, Paul Singer, Bernard Marcus. Segundo afirmou, os três foram os principais contribuintes do Partido Republicano e o da campanha eleitoral de Donald Trump. Na mesma entrevista, Jones afirmou que os judeus também foram responsáveis “pela invasão americana do Iraque em 2003, em nome de Israel, acrescentando: “Foram os americanos que morreram lá, não foram os israelenses… provavelmente nenhum judeu morreu nessa guerra”.