Koby Gideon/GPO

Rivlin encarrega Netanyahu de formar novo governo, apesar da pouca chance de sucesso

O presidente Reuven Rivlin anunciou, na manhã desta terça-feira, que concedeu ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a tarefa de formar uma coalizão de governo depois que o líder do Likud recebeu o maior número de recomendações de parlamentares no Knesset – 52 contra 45 indicações para Yair Lapid, do Yesh Atid.
Rivlin assinou uma carta de recomendação, dando a Netanyahu 28 dias para formar um governo. Ele não convidou Netanyahu para ir ao seu escritório receber o novo mandato.
Em seu discurso, Rivlin lamentou não ter imaginado, ao ser eleito há sete anos, que nomearia um candidato para formar governo cinco vezes durante seu mandato. Ele disse que sua decisão se baseou em quem teve mais recomendações, já que nenhum candidato tem maioria do Knesset.
“Tenho a impressão de que nenhum dos candidatos tem chance de formar uma coalizão”, disse Rivlin.
Rivlin disse que é ‘problemático’ nomear um candidato que responde a uma acusação criminal na justiça, mas que a Suprema Corte considerou permissível e, por isso, ele decidiu ficar fora desse debate.
“O presidente não pode substituir os legisladores”, disse Rivlin. “A decisão de impedir um candidato, que está sob investigação, de formar um governo cabe ao Knesset”.
Ele disse que decidiu não levar em consideração o julgamento em andamento de Netanyahu pelo desejo de proteger o cargo de presidente que “recebe a confiança do público”.
Nas consultas de Rivlin com os representantes dos 13 partidos que compõem o novo Knesset, 52 parlamentares de quatro grupos recomendaram Netanyahu, enquanto 45 de cinco blocos indicaram o líder de Yesh Atid, Yair Lapid. Yamina recomendou seu líder, Naftali Bennett; e a Nova Esperança, de Gideon Sa’ar, e dois blocos árabes não recomendaram ninguém.
Lapid respondeu que entendia a decisão do presidente e não poderia objetar.
“O presidente não teve escolha”, disse Lapid. “Mas dar o mandato a Netanyahu é vergonhoso e mancha Israel como um estado que cumpre a lei”.
Após dois dias de consulta com todos os blocos parlamentares, Rivlin deixou claro que nenhum candidato conseguiu chegar aos 61 assentos necessários para ter a maioria no Knesset. Netanyahu e o seu partido Likud, que conquistou 30 cadeiras no pleito de 23 de março, conseguiu chegar a 52 assentos com o apoio das siglas religiosas Shas, Judaísmo Unido da Torá (JUT) e Sionismo Religioso.

Foto: Koby Gideon/GPO