“Sanções ao Irã permanecerão mesmo sob o governo Biden”, diz membro da Administração Trump

O representante especial dos EUA para o Irã e a Venezuela, Elliot Abrams, disse que as sanções americanas ao regime iraniano permanecerão mesmo sob a administração do presidente eleito, Joe Biden.

“Não importa quem seja o presidente em 20 de janeiro, haverá uma negociação com o Irã de qualquer maneira”, disse Abrams, que nesta semana visitou Israel.

“Resta ver se é possível voltar ao JCPOA”, acrescentou ele, usando a sigla para o nome formal do acordo nuclear com o Irã.

“O Irã não tem agido de acordo com o que foi estabelecido no JCPOA. Nos últimos dois anos, especialmente, um programa de sanções significativo foi implementado, que inclui não apenas sanções nucleares, mas também sanções de direitos humanos e sanções contra o terrorismo”.

Um governo Biden ainda usaria as sanções do governo Trump em qualquer negociação com o Irã para obter novas concessões, e removê-las não seria fácil, disse Abrams.

“Legalmente, é correto que um presidente tenha o direito de reverter qualquer ato executivo que ele tenha feito ou que um presidente anterior tenha feito”, disse ele. “Se é aconselhável e politicamente possível, isso é uma outra questão”.

“Algumas das sanções não estão conectadas ao JCPOA ou às atividades nucleares do Irã. Sanções de direitos humanos e sanções por terrorismo em teoria podem ser revertidas”, acrescentou. “Mas é difícil prever como qualquer presidente faria isso sem uma mudança no comportamento do Irã”.

Retornar ao JCPOA, a menos que Teerã faça concessões significativas, é diferente da probabilidade de um futuro governo Biden se reunir novamente à Organização Mundial da Saúde no primeiro dia, disse Abrams.

“Não acho que voltar ao JCPOA em 2021 seja uma iniciativa simples”, completou.

A discussão a seguir se voltou para quais concessões Abrams achava que um governo Biden poderia obter de Teerã, visto que a posição de seus principais funcionários era de que não retornariam ao cumprimento do JCPOA até que os EUA suspendessem as sanções.

Ele acredita que será muito difícil no curto prazo um retorno dos EUA ao acordo nuclear, especialmente pelo fato de o Irã ter desenvolvido um programa de mísseis e violado regras do pacto que estabeleciam limites ao seu projeto nuclear.

“Uma das principais críticas ao acordo foi ter permitido que a República Islâmica continuasse a enriquecer urânio mesmo em níveis baixos”, acrescentou.

Sobre o argumento de funcionários do governo do então presidente dos EUA, Barack Obama, que disseram que nunca teriam chegado a um acordo e teriam perdido o apoio da Rússia e da China se tivessem pressionado pelo não enriquecimento de urânio, Abrams disse: “Ninguém quer que o Irã obtenha uma arma nuclear. Não acho que a Rússia e a China queiram que eles tenham uma arma nuclear”.

“Muitos negociadores europeus acharam que as negociações foram ruins”, disse ele. Sobre o argumento de que o acordo alcançado foi o melhor possível, ele declarou: “Não foi isso que ouvi de alguns europeus que acreditavam que um acordo melhor era possível”.

“Estou realmente otimista – se a pressão que os EUA exercem por meio de sanções for utilizada”, disse ele. “O regime está em uma situação em que realmente precisa do levantamento dessas sanções. E se exigirmos mudanças em sua conduta, acredito que eles terão outra opção”

A população iraniana despreza a liderança política do país, afirmou Abrams. “E à medida que a economia fica sob mais pressão, o regime entende que isso pode ter um impacto político significativo dentro do país”, disse ele. “Em uma situação como essa, você cria pressão e a usa a seu favor. Esse era o plano Biden; esse é o plano de Trump – entrar em negociações com o Irã, por meio de pressão. Acho que se a pressão for mantida e usada, veremos um bom resultado”.