Secretário de Educação do Reino Unido ameaça cortar verba de universidades que não agirem contra o antissemitismo

O Secretário de Estado da Educação do Reino Unido, Gavin Williamson, acusou as universidades britânicas de ignorarem os episódios de antissemitismo nos campi e pediu que adotem a definição (de antissemitismo) da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) sob o risco de perderem o financiamento do governo.

Em carta dirigida na sexta-feira (9) às universidades britânicas, Williamson acusou as instituições de ensino superior de “falta de vontade” de confrontar os sentimentos antijudaicos nos campi.

“É muito preocupante que tantos estejam ignorando a questão do antissemitismo. A repugnante crença de que o antissemitismo é, de alguma maneira, uma forma menos grave ou mais aceitável de racismo se tornou insidiosa em algumas partes da sociedade britânica”, dizia a carta.

Williamson fez um apelo às universidades para que adotem a definição de antissemitismo da IHRA, observando que o número de instituições que já o fizeram permaneceu “vergonhosamente baixo”.

De acordo com um pedido de liberdade de informação da União de Estudantes Judeus do Reino Unido, apenas 29 das 133 escolas de ensino superior adotaram a definição, e 80 instituições disseram que não pretendiam fazê-lo, de acordo com a UJS.

As universidades rejeitaram a adoção da definição com base na autonomia acadêmica e na liberdade de expressão, de acordo com o The Guardian.

A carta destacou a relutância das universidades em adotar medidas de combate ao antissemitismo em comparação com outras formas de racismo.

Williamson emitiu um alerta de que consideraria “suspender os fluxos de financiamento para universidades onde ocorrem incidentes antissemitas e que não assinaram a definição da IHRC.

Williamson enfatizou que o “governo tem tolerância zero em relação ao antissemitismo”.

“Se eu não vir a esmagadora maioria das instituições adotando a definição até o Natal, eu agirei”, disse ele.

O UJS elogiou a carta, dizendo: “Esta é uma posição firme do governo do Reino Unido contra o antissemitismo e a discriminação enfrentada pelos estudantes judeus”.

Um porta-voz das Universidades do Reino Unido, a organização representativa das instituições de ensino superior na Grã-Bretanha, disse: “Recomendamos que as universidades façam tudo o que puderem para combater o antissemitismo, inclusive considerando a definição da IHRA, embora mantendo seu dever de promover a liberdade de expressão dentro da lei”, de acordo com o The Guardian.

A definição de antissemitismo da IHRA diz: “O antissemitismo é uma certa percepção dos judeus, que pode ser expressa como ódio aos judeus”. “Manifestações de antissemitismo são dirigidas a indivíduos judeus, ou não judeus, e/ou suas propriedades, a instituições da comunidade judaica e a instalações religiosas”.

Os críticos da definição argumentam que ela sufoca as críticas a Israel. A definição inclui uma cláusula que define o antissemitismo como “negar ao povo judeu seu direito à autodeterminação, por exemplo, alegando que a existência de um Estado de Israel é um esforço racista”.