Sinagogas de Chicago são alvo de atos de vandalismo; polícia reconhece ‘crimes de ódio’

A polícia de Chicago reforçou a segurança em instituições judaicas, depois de uma série de atos de vandalismo e tentativas de incêndio em sinagogas da cidade.

Autoridades estão investigando a presença de coquetéis molotov encontrados do lado de fora da Congregação Anshe Sholom B’nai Israel, no bairro de Lakeview, em Chicago, na manhã de domingo. No local, a polícia encontrou vidros quebrados e panos pretos carbonizados do lado de fora do prédio.

A polícia confirmou mais tarde que um desconhecido tentou incendiar o prédio por volta da meia-noite de sábado. Ninguém ficou ferido e não houve danos na sinagoga.

O porta-voz da polícia de Chicago, Anthony Guglielmi, disse que também estão sendo investigados atos de vandalismo em várias sinagogas no bairro West Rogers Park, onde vidros dos carros estacionados nas proximidades do prédio foram destruídos na manhã de domingo.

Guglielmi disse que as escolas, empresas e sinagogas judaicas da cidade receberiam “atenção especial” enquanto os “crimes de ódio” estão sendo investigados.

Ele explicou que a polícia já tem “boas evidências em vídeos” de dois suspeitos da tentativa de incêndio à sinagoga Anshe Sholon. As imagens de vigilância da Anshe Sholom não foram divulgadas, mas a mídia local informou que a polícia está à procura de um suspeito que aparece no vídeo usando uma jaqueta preta com capuz. Guglielmi disse que o outro suspeito era um homem afro-americano de 30 ou 40 anos.

O rabino de Anshe Sholom, David Wolkenfeld, disse aos meios de comunicação locais que “é chocante” ver manifestações antissemitas em Chicago.

“Esta sinagoga é tão central para tantas pessoas neste bairro, e esta é uma cidade tão maravilhosa para os judeus, por isso é chocante ver que pode haver alguém tão cheio de ódio para se envolver em atos como este”, disse Wolkenfeld.

Em comunicado postado na página do Facebook de Anshe Sholom, Wolkenfeld pediu aos membros de sua congregação que compareçam aos cultos do próximo Shabat para “honrar a santidade de nossa sinagoga”.

No mês passado, a Liga Antidifamação afirmou em seu relatório anual que os judeus americanos experimentaram “níveis quase históricos de antissemitismo” em 2018.

No ano passado, mais do que duplicou o número de agressões físicas antissemitas em relação a 2017, incluindo o ataque mais violento contra a comunidade judaica americana, com o assassinato de 11 membros na sinagoga Tree of Life de Pittsburgh, em outubro.