Turquia recebe membros do Hamas e permite que planejem em seu território ataques contra Israel, diz jornal britânico

O líder autoritário turco Recep Tayyip Erdogan, que há muito tempo hospeda líderes do Hamas, agora está permitindo que os agentes do grupo terrorista planejem, em solo turco, ataques terroristas contra israelenses , segundo revelou jornal britânico The Telegraph.

Citando fontes policiais israelenses e revelando detalhes dos planos, relatados em recentes interrogatórios de suspeitos de terrorismo por funcionários israelenses, o jornal afirma que as operações do Hamas em Jerusalém e na Cisjordânia estão sendo dirigidas a partir de Istambul, enquanto as autoridades turcas fazem vista grossa.

Uma dessas operações citadas pelo jornal era uma conspiração para assassinar altas autoridades israelenses, incluindo o prefeito de Jerusalém e o comissário de polícia nacional, por Adham Muselmani, 23 anos, morador de Jerusalém Oriental, que foi recrutado para a causa em uma reunião realizada em Istambul.

A denúncia sobre a operação foi feita logo após Erdogan ter recebido o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, em Istambul, no sábado, quando disse a ele: “Continuaremos apoiando nossos irmãos na Palestina”.

O Hamas, por sua vez, elogiou a Turquia por suas “posições em relação ao povo palestino e sua justa causa” em uma reportagem em seu site.

Israel reclama há muito tempo de Ancara por seus laços com o Hamas. Autoridades israelenses disseram ao The Telegraph que a Turquia agora renunciou ao seu compromisso de 2015, negociado pelos EUA, de não permitir que membros do Hamas planejassem ataques terroristas contra o Estado judeu a partir de seu território.

“Israel está extremamente preocupado com o fato de a Turquia permitir que terroristas do Hamas operem em seu território, planejando ataques terroristas contra civis israelenses”, afirmou o jornal citando o Ministério das Relações Exteriores de Israel.

De acordo com o jornal, Muselmani, que foi preso pelo Shin Bet enquanto tentava comprar uma pistola, encontrou-se com um apoiador em Istambul, que sugeriu que ele tentasse matar o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, o ativista do Yehuda Glick, ou o chefe de polícia Roni Alsheich. O apoiador seria Zacharia Najib, principal agente do Hamas, que foi solto por Israel como parte de um acordo de troca de prisioneiros pelo soldado das IDFs Gilad Shalit, em 2011. Najib ofereceu a outra pessoa treinamento em armas em Istambul para um ataque em Israel.

O Telegraph também citou informações policiais sobre a realização de uma reunião de imãs palestinos em Istambul com o agente do Hamas Hisham Hijaz, que também foi libertado na troca de prisioneiros por Shalit. Hijaz ofereceu US$ 20.000 na reunião à família de qualquer um que praticar um atentado suicida em Israel.

O jornal observou que os contatos entre autoridades turcas e Hamas são frequentes e que a agência de inteligência turca MIT trabalha em estreita colaboração com o principal canal para o relacionamento, Jihad Ya’amor, oficial do Hamas.

A Turquia mantém há muito tempo laços calorosos com o Hamas, que se tornaram mais evidentes à medida que as relações com Israel esfriavam na última década.

O Hamas e o partido AKP de Erdogan estão ligados politicamente. Ambos têm laços ideológicos estreitos com o movimento da Irmandade Muçulmana egípcia.

Desde que chegou ao poder como primeiro-ministro em 2003, Erdogan levou um realinhamento lento, mas constante, das alianças da Turquia, longe de seus vínculos estratégicos de longa data com Israel e o Ocidente, e reafirmou um crescente papel de liderança no Oriente Médio muçulmano. Ele apoiou o Hamas em disputas intra-palestinas com o Fatah e a Autoridade Palestina e financiou grupos em Jerusalém que organizaram a violência dentro e ao redor do Monte do Templo em Jerusalém.

Apesar das tensões com Washington sobre a compra de armas russas pela Turquia, Erdogan mantém laços estreitos com o presidente dos EUA, Donald Trump, cuja administração recusou-se nesta terça-feira a apoiar, no Senado, o reconhecimento do genocídio armênio praticado pela Turquia.

O vice-líder do Hamas, Saleh al-Arouri, observou o jornal, “viaja livremente para o país sem medo de ser preso”, apesar de uma recompensa de US$ 5 milhões por acusações de terrorismo. E ele não está sozinho. Sabe-se que pelo menos 11 membros da liderança do Hamas “que deixaram (Gaza) no ano passado, de acordo com uma lista compilada pela inteligência israelense e pelas autoridades fronteiriças egípcias”, se mudaram para Istambul. Entre eles, está Abdel Rahman Ghanimat, ex-chefe da célula de Surif que organizou atentados suicidas contra civis israelenses nos anos 90.

Outro homem chamado Nahad Abu Kishk excluiu sua conta do Facebook depois de ser contatado pelo jornal, embora as postagens de sua esposa “mostrem que a família estava morando em Gaza em 2018 antes de se mudar para a Turquia no início deste ano”, segundo o Telegraph.

Tanto a Turquia quanto o Hamas negaram as afirmações do jornal. Uma autoridade diplomática turca disse que o Hamas “não é uma organização terrorista” e insistiu que nenhum ataque estava sendo planejado na Turquia.