Uma em cada cinco postagens nas redes sociais da América Latina é antissemita, diz relatório conjunto do CJL, AMIA e DAIA

O relatório – o quinto desde 2015 – incluiu pela primeira vez, neste ano, além de dados da mídia argentina, os da mídia digital de outros seis países: Brasil, Chile, Costa Rica, Colômbia, Panamá e Uruguai. As análises abrangem os principais resultados da pesquisa no Google, Youtube, Facebook e Twitter. Todos os dados foram apurados junto à comunidade judaica e em diversas plataformas online.

De acordo com o relatório do Observatório da Web, organização que monitora e investiga o discurso de ódio online, em 2019, um em cada cinco relatos sobre comentários relacionados à comunidade judaica ou a Israel na mídia digital na América Latina foram de teor antissemita. As informações vêm através do monitoramento e análise de redes sociais e de acordo com 23 jornais digitais de sete países da região.

No Facebook, essa tendência aumentou. Nessa rede social 3 em cada 10 postagens de usuários relacionadas a judeus ou ao Estado de Israel têm conteúdo de ódio.

Como resultados positivos cabe destacar as medidas tomadas em meados de 2019 por empresas como o YouTube, onde uma mudança em sua política em relação aos conteúdos na plataforma levou à retirada de milhares de vídeos antissemitas. A iniciativa resultou em uma redução considerável do número de vídeos antissemitas postados a partir da segunda metade do ano.

Vale ressaltar que também há espaço para conteúdos construtivos. No Twitter, o Observatório da Web revelou que um em cada três tuítes relacionados a questões sobre a comunidade judaica e a Israel é positivo. Esse número representou um aumento de mais de 20% em relação aos anos anteriores, quando comentários desse tipo registraram apenas 12% do total.

“A definição adotada pela IHRA (Aliança Internacional pela Memória do Holocausto) sobre antissemitismo é de grande importância, não só como referência para os pesquisadores, mas também para as empresas de Internet e para a Justiça na remoção de conteúdo discriminatório”, destacou Claudio Epelman, Diretor Executivo do Congresso Judaico Latino-Americano, uma das organizações responsáveis pelo Observatório da Web. “Quando uma sociedade aceita o antissemitismo, isso degrada as condições do pluralismo e dos direitos humanos”, acrescentou Epelman, explicando que relatórios como este são fundamentais para compreender a evolução do problema.

“Os resultados mostram que o antissemitismo online é um problema a nível regional e a persistência de conteúdos de ódio confirma a necessidade de um trabalho conjunto entre governos, organizações da sociedade civil e empresas de internet para acabar com este tipo de discurso?, disse Ariel Seidler, diretor do Observatório da Web.

O Observatório Web é uma iniciativa conjunta do Congresso Judaico Latino-Americano, da AMIA e da DAIA – equivalente à Conib – que monitora o discurso de ódio online e trabalha em conjunto com empresas de Internet e governos para o uso responsável da TI (Tecnologia da Informação).