União Europeia defende negociações diretas entre israelenses e palestinos

A União Europeia reagiu com cautela ao anúncio do plano de paz do presidente Donald Trump para o conflito-israelo-palestino, sugerindo às partes que estudem a proposta com cuidado.

O alto representante da UE Josep Borrell disse que o bloco permanece “firme e unido” em favor de um acordo de paz negociado entre dois estados entre Israel e os palestinos.

“A União Europeia estudará e avaliará as propostas apresentadas”, disse Borrell.

“Isso será feito com base na posição estabelecida da UE e em seu firme e unido compromisso com uma solução negociada e viável de dois Estados que leve em consideração as aspirações legítimas dos palestinos e dos israelenses, respeitando todas as questões relevantes, resoluções da ONU e parâmetros acordados internacionalmente”, destacou.

Borrell reconheceu que “a iniciativa dos Estados Unidos oferece uma oportunidade para relançar os esforços necessários para uma solução negociada e viável para o conflito israelo-palestino”. Mas ele deixou claro que as capitais europeias veem a necessidade de negociações mais inclusivas pela frente.

“A UE reafirma sua disposição de trabalhar no sentido de retomar negociações significativas para resolver todos os problemas permanentes de status e alcançar uma paz justa e duradoura”, afirmou.

“Ele pediu às partes que demonstrem, por meio de políticas e ações, um compromisso genuíno com a solução de dois Estados como a única maneira realista de acabar com o conflito”.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, pediu uma abordagem equilibrada para romper o impasse. “Somente uma solução negociada de dois Estados, aceitável para ambos os lados, pode levar a uma paz duradoura entre israelenses e palestinos”, afirmou ele.

Maas acrescentou que a proposta de Trump levantou questões “sobre o envolvimento das partes conflitantes em um processo de negociação e sua relação com parâmetros internacionais reconhecidos e posições legais”.

Representantes da União Democrata Cristã (CDU) e do Partido Social Democrata (SPD), partidos da grande coalizão, manifestaram dúvidas de que o plano de Trump alcance uma paz sustentável no Oriente Médio.

Jürgen Hardt, porta-voz da política externa da aliança CDU-CSU de Angela Merkel no Parlamento, disse que, embora considere positivo o plano de Trump por estar “aderindo à solução de dois Estados”, ele também se preocupa com “algumas das exigências para os palestinos sobre a questão dos territórios não estar aberta a negociações”. Hardt também observou que “toda nova tentativa no processo de paz, se fracassada, corre o risco de aumentar a frustração de ambos os lados e, eventualmente, levar a um conflito, ao invés de diminuí-lo”. “Portanto, temos que ter muito cuidado com essas propostas”, destacou.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse que a ONU apoia a solução de dois estados convivendo em paz e segurança dentro de fronteiras reconhecidas, com base nas linhas anteriores a 1967.

“A posição das Nações Unidas sobre a solução de dois estados foi definida, ao longo dos anos, por resoluções relevantes do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral pelas quais o Secretariado está vinculado”, disse Stephane Dujarric, porta-voz de Guterres.
O primeiro-ministro Boris Johnson, falando ontem sobre a proposta no Parlamento, declarou: “Nenhum plano de paz é perfeito, mas isso tem o mérito de uma solução de dois estados, é uma solução que garantiria que Jerusalém seja a capital de Israel e do povo palestino”.

A Rússia disse que avaliaria a proposta e instou israelenses e palestinos a negociar diretamente para encontrar um “compromisso mutuamente aceitável”.

O vice-ministro das Relações Exteriores, Mikhail Bogdanov, acrescentou: “Não sabemos se a proposta americana é mutuamente aceitável ou não. Devemos esperar pela reação das partes”.

Trump chamou o plano de “conquista” para Israel e palestinos e disse que os palestinos não devem perder sua chance de independência.