Faculdade de Direito da USP sedia evento para debater o antissemitismo e em apoio a Andre Lajst - Fundada em 1948, a CONIB – Confederação Israelita do Brasil é o órgão de representação e coordenação política da comunidade judaica brasileira.
Fotos: Divulgação

18.11.25 | Brasil

Faculdade de Direito da USP sedia evento para debater o antissemitismo e em apoio a Andre Lajst

A Faculdade de Direito da USP, por meio da Associação dos Antigos Alunos, recebeu, no final da tarde de segunda-feira (17), evento promovido pela Fraternidade Judaica de Alunos da USP. O encontro teve por objetivo debater o antissemitismo na comunidade acadêmica e prestar desagravo ao professor e cientista político André Lajst, presidente-executivo da StandWithUs Brasil, vítima de postagem antissemita veiculada por alunos da própria faculdade.

O evento reuniu cerca de 60 pessoas e contou com a participação de ex-alunos judeus e não judeus, professores, juristas e representantes de instituições engajadas no enfrentamento ao ódio e à discriminação. Entre os presentes estavam nomes de grande relevância para o direito e para a vida pública brasileira, entre eles o ex-chanceler Celso Lafer; o jurista Fernando Lottenberg; o ex-ministro ministro do Superior Tribunal Militar (STM) Flávio Bierrenbach; o cientista político Samuel Feldberg, além de professores eméritos e docentes da Faculdade.

A diretoria da faculdade esteve representada por seu diretor, Celso Fernandes Campilongo, que reforçou a importância de manter a Faculdade de Direito como um espaço livre de discriminações, acolhedor para todas as comunidades e comprometido com o debate democrático.

Sergio Napchan, diretor executivo da CONIB, elogiou a qualidade do debate e a organização da atividade, ressaltando o papel central da CONIB, como representante da comunidade judaica no Brasil e sua atuação junto aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e em “apoio a iniciativas sociais, políticas, culturais e educacionais que fortalecem nossa identidade judaico-brasileira e reforçam o sentido profundo de comunidade”. “Hoje, mais do que nunca, reafirmamos algo que não pode ser esquecido: não há espaço — e não pode haver — para a intolerância, o ódio ou qualquer forma de discriminação. O dever de proteger ambientes de liberdade, respeito e convivência pacífica é coletivo. Pertence a todos nós”, destacou Napchan.

A vereadora Cris Monteiro também participou do evento, lembrando sua mobilização institucional para impedir apresentações públicas que façam apologia ao nazismo e manifestações racistas, citando seu esforço para barrar shows com conteúdo violento e de ódio.

Ana Beatriz Prudente Alckmin, presidente da Fraternidade Judaica de Alunos da USP e embaixadora da ECO-CONIB, ressaltou que a Faculdade de Direito tem se consolidado como um espaço seguro para estudantes judeus de outras faculdades da USP — muitos deles utilizam o prédio para trabalhos em grupo e reuniões, especialmente porque se sentem intimidados em outras unidades da USP. Ela enfatizou ainda que o ataque antissemita a André Lajst afetou toda uma coletividade judaica dentro da USP — alunos, professores e servidores — e que o desagravo foi, acima de tudo, coletivo.

O advogado Rui Caminha, presidente da Associação de Antigos Alunos da Faculdade de Direito da USP, afirmou que aceitou de imediato a proposta da Fraternidade Judaica de Alunos da USP para a realização do evento, por reconhecer a relevância do tema e por entender que a comunidade judaica havia sido, de fato, ofendida. Ele destacou sua própria ascendência judaica, bem como os valores humanistas que orientam sua gestão à frente da Associação. Ressaltou ainda que a Faculdade de Direito da USP formou um número expressivo de figuras centrais da política nacional, incluindo ex-presidentes e ministros, o que reforça o compromisso histórico da instituição com a sociedade e com a democracia. Por isso, afirmou, a Faculdade deve permanecer como um palco democrático, acolhedor e comprometido com contribuições substantivas para a vida pública brasileira.

No seu pronunciamento, o jurista Fernando Lottenberg lançou um alerta sobre o risco de importação para o Brasil das manifestações emblemáticas de antissemitismo ocorridas em universidades estrangeiras, especialmente nos Estados Unidos, onde discursos violentos colocaram em risco a segurança de estudantes judeus.

Em seu pronunciamento, Flávio Bierrenbach destacou a relevância de reafirmar os valores civilizatórios do mundo ocidental, especialmente em um momento em que debates sobre geopolítica e direito internacional frequentemente se tornam terreno de tensões ideológicas. Ele enfatizou a centralidade dos direitos humanos como parâmetro inegociável de análise e atuação, afirmando que não devemos nos intimidar ao defendê-los, mesmo em ambientes de forte polarização. Para o ministro, é indispensável que, diante de qualquer controvérsia, sejamos capazes de refletir criticamente sobre se as posições que adotamos estão, de fato, ancoradas nos valores humanísticos que orientam a tradição jurídica e democrática que buscamos preservar.

Representantes da sociedade civil e do terceiro setor presentes no evento destacaram a seriedade com que a Faculdade de Direito tratou institucionalmente o tema.

A professora Maristela Basso, em sua fala no púlpito, relatou as dificuldades que ela e outros docentes da Faculdade de Direito enfrentam para abordar a geopolítica do Oriente Médio com isenção ideológica. Segundo ela, o esforço para levar esclarecimento sério aos alunos sobre esse tema tem sido árduo, e até agora ela se sentiu isolada nessa missão — uma caminhada solitária em busca de construir um entendimento científico e equilibrado, livre de preconceitos.

O evento foi conduzido pela advogada Beyla Ester Fellous, ex-aluna da Faculdade de Direito da USP e ativa na Associação de Antigos Alunos da FDUSP, respeitada dentro da comunidade acadêmica. Ela destacou o trabalho que a Fraternidade Judaica de Alunos da USP tem promovido de conscientização dentro da instituição.

André Last, o homenageado, agradeceu o desagravo e a postura da faculdade, afirmando que o gesto extrapola a defesa de um indivíduo ofendido e representa a proteção de toda a coletividade judaica no meio acadêmico.

Também estiveram presentes o professor Manoel Gonçalves (professor emérito da Faculdade de Direito da USP), o professor José Maurício Conti (da FD-USP) e o professor Flávio Leão, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, entre outras personalidades.

O encontro contou com um cardápio kosher, em respeito à maioria dos presentes e à natureza comunitária da atividade. Os organizadores celebraram o evento como um marco histórico na trajetória da Faculdade de Direito da USP: um momento de encontro comunitário, de reconhecimento coletivo do problema do antissemitismo e da construção conjunta de medidas de proteção e acolhimento.

Faculdade de Direito da USP sedia evento para debater o antissemitismo e em apoio a Andre Lajst - Fundada em 1948, a CONIB – Confederação Israelita do Brasil é o órgão de representação e coordenação política da comunidade judaica brasileira.
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